Nesta quarta-feira (14/10), o Senado Federal realiza a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1, uma medida considerada prioritária pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A discussão ocorre em um momento estratégico, a apenas 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e representa uma tentativa do Executivo de fortalecer sua base de apoio e ampliar sua influência sobre o eleitorado, especialmente entre os indecisos e segmentos específicos, como o feminino.
A proposta, que tem potencial de ampliar o alcance da campanha de reeleição de Lula, busca conquistar votos além do eleitorado tradicional do PT. Analistas políticos avaliam que a medida pode impactar positivamente a intenção de voto do presidente, sobretudo entre as mulheres, segmento que Lula tem buscado fortalecer na disputa. No primeiro turno, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, obteve 56,1 milhões de votos (47,03%), enquanto Lula recebeu 53,8 milhões (45,16%).
A votação da PEC também tem um impacto estratégico sobre o candidato do PL. Flávio Bolsonaro, que inicialmente se posicionou contra a proposta, chegou a classificá-la como “oportunista” e “eleitoreira”. Contudo, na véspera da sessão, recuou e anunciou que votaria favoravelmente à medida, afirmando que “a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1” e que defenderia uma alternativa ainda melhor. Sua mudança de postura é vista como um movimento para se alinhar às expectativas do eleitorado e evitar desgaste na campanha.
Por sua vez, Lula atribuiu a mudança de Flávio à mobilização popular que tem ocorrido nas ruas do país nos últimos dias. Em evento no Palácio do Planalto, logo após o anúncio do recuo do adversário, o presidente ironizou o posicionamento do parlamentar, dizendo que “depois da pressão da sociedade e das manifestações nas ruas, o PL decidiu votar o fim da escala 6×1”. Lula também afirmou que, caso seu governo consiga provocar avanços na agenda trabalhista, continuará a atuar dessa forma, mesmo que isso cause prejuízos à direita política.
A estratégia do governo inclui o uso de aliados para pressionar a votação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou que há apoio suficiente para acelerar a análise do requerimento que permite a votação em calendário especial, com previsão de realização de primeiro e segundo turnos nesta quarta-feira. Para isso, é necessário obter ao menos 54 assinaturas, o que representa dois terços do plenário, e o governo garante que dispõe do respaldo necessário para protocolar o pedido.
A PEC, que requer pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno para ser aprovada, pode ser promulgada pelo Congresso ainda neste ano, sem necessidade de sanção presidencial, caso seja aprovada sem alterações. A votação em primeiro turno está prevista para o final do dia, com a última discussão da proposta, enquanto a aprovação do segundo turno dependerá do apoio de uma maioria qualificada, o que pode ocorrer ainda nesta quarta-feira.


