A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira, 5 de outubro, o registro do medicamento Elfabrio (alfapegunigalsidase) para o tratamento de adultos com diagnóstico confirmado de doença de Fabry. A decisão permite que o medicamento seja utilizado como uma terapia de reposição enzimática de longa duração, contribuindo para o manejo de uma condição genética rara e progressiva.
A doença de Fabry é causada por uma deficiência na enzima alfa-galactosidase A, responsável por degradar uma substância chamada globotriaosilceramida (Gb3). Quando essa enzima está ausente ou em quantidade insuficiente, a Gb3 se acumula nas células de diversos órgãos, levando a uma série de complicações clínicas. Essa acumulação pode afetar diferentes sistemas do corpo, incluindo os rins, o coração, o sistema nervoso e os vasos sanguíneos, resultando em manifestações variadas que dificultam o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz.
Entre as principais manifestações clínicas da doença de Fabry estão insuficiência renal, alterações cardíacas, problemas cerebrovasculares, neuropatia periférica e perda de sensibilidade. Além disso, pacientes podem apresentar sintomas como perda auditiva, lesões cutâneas conhecidas como angioqueratomas e sintomas gastrointestinais, incluindo diarreia e dor abdominal. A gravidade e a combinação desses sintomas variam de acordo com o paciente, refletindo a diversidade de tecidos e órgãos afetados pela doença.
O Elfabrio atua como uma reposição da enzima alfa-galactosidase A, que está deficiente nos indivíduos acometidos pela doença de Fabry. A administração do medicamento visa reduzir o acúmulo de Gb3 nos tecidos, prevenindo ou retardando a progressão de complicações graves, como problemas cardíacos e insuficiência renal, que representam as principais causas de mortalidade associadas à condição.
O medicamento aprovado pela Anvisa é apresentado na forma de uma solução estéril, que deve ser diluída antes da administração. A aplicação é realizada por infusão intravenosa, com o frasco contendo 10 ml de solução. Essa forma de administração exige acompanhamento médico especializado para garantir a segurança e a eficácia do tratamento, além de seguir protocolos específicos de diluição e infusão.
A aprovação do Elfabrio representa um avanço importante no tratamento da doença de Fabry, oferecendo uma alternativa de terapia de reposição enzimática de longa duração para adultos, uma população que tradicionalmente enfrentava limitações na gestão clínica da doença devido à escassez de opções terapêuticas específicas. A decisão da Anvisa reforça o compromisso de ampliar o acesso a tratamentos inovadores para doenças raras, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e o controle dos efeitos progressivos da enfermidade.


