A corrida presidencial de 2026 apresenta um cenário de maior competitividade em comparação com o mesmo período de quatro anos atrás, conforme mostram as pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente. Diferentemente de 2022, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), liderava com folga a disputa, o atual panorama revela uma disputa mais equilibrada entre Lula e seus principais adversários.
Em 2022, às vésperas do primeiro turno, Lula tinha uma vantagem superior a 10 pontos percentuais sobre Jair Bolsonaro, que na época concorria à reeleição pelo Partido Liberal (PL). Uma pesquisa do Datafolha divulgada na semana que antecedeu o pleito indicava Lula com 47% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tinha 33%, configurando uma diferença de 14 pontos. A Quaest, outro instituto de pesquisa, também apontava uma vantagem de 10 pontos para Lula, com 44% contra 34% do então presidente. No resultado oficial do primeiro turno daquele ano, Lula obteve 48,43% dos votos, totalizando cerca de 57 milhões de votos, enquanto Bolsonaro ficou com 43,20%, aproximadamente 51 milhões de votos. A diferença final entre os candidatos foi de cerca de cinco pontos percentuais, evidenciando que o resultado foi mais apertado do que indicavam as pesquisas.
Atualmente, as pesquisas Quaest e Datafolha indicam uma disputa mais equilibrada. Segundo o Instituto Quaest, Lula possui 37% das intenções de voto contra 33% do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ambos no primeiro turno. Essa diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando um empate técnico. O Datafolha, por sua vez, aponta Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36%, também em uma margem de erro de dois pontos, o que reforça a possibilidade de um cenário de empate técnico na disputa.
O cenário de uma disputa mais acirrada reforça a importância da reta final da campanha, marcada por estratégias distintas dos candidatos. Lula, candidato à reeleição, deve intensificar suas viagens por diferentes regiões do país, com foco especial no Sudeste, que concentra uma parcela significativa do eleitorado nacional, incluindo estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Esses três estados representam juntos cerca de 40% do eleitorado brasileiro, com São Paulo respondendo por 21,48%, Minas Gerais por 10,32% e o Rio de Janeiro por 8,10%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além das estratégias de campanha, a última semana antes do primeiro turno tem sido marcada por ações relacionadas a temas de interesse nacional, como a proposta de medidas provisórias e projetos de lei. Uma delas, assinada recentemente pelo governo, é a medida provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online, em ambientes físicos e virtuais. Publicada em São Paulo na sexta-feira, 25 de setembro, essa MP também foi acompanhada de um projeto de lei que visa estabelecer conceitos e tipificar crimes relacionados às apostas de quota fixa, com penas que variam de dois a seis anos de reclusão.
No âmbito político, a campanha de Flávio Bolsonaro prepara uma ofensiva para explorar o momento do anúncio dessas medidas, feito a apenas nove dias do primeiro turno. A estratégia inclui confrontar a tramitação do Projeto de Lei nº 3.626/2023, que regulamentou as apostas de quota fixa, com o discurso do governo durante o processo de elaboração da legislação. O projeto, que passou por alterações no Senado e na Câmara, manteve a regulamentação de jogos de cassino online na versão final aprovada pelos deputados, seguindo para sanção presidencial.
Este cenário de maior disputa e as ações estratégicas dos candidatos indicam uma eleição que promete ser mais competitiva e imprevisível, reforçando a importância do debate de temas nacionais e regionais na reta final da campanha.


