A campanha do candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, prepara uma estratégia mais agressiva na reta final do primeiro turno, marcada por ataques diretos ao adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ações para estimular o voto útil. O objetivo central é conquistar uma vantagem na votação de 4 de outubro, de modo a consolidar sua posição e fortalecer sua candidatura em eventual segundo turno. Aliados avaliam que alcançar uma votação superior à de Lula nesse momento aumentaria as chances de Flávio obter apoio de partidos do Centrão, especialmente a federação União Progressista, formada por União Brasil e Partido Progressista (PP), que já sinalizou a possibilidade de apoiar o candidato caso avance ao segundo turno.
Com a disputa eleitoral bastante equilibrada nas pesquisas, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro indicam que a ofensiva deve se intensificar, com ataques mais específicos aos pontos considerados de desgaste do ex-presidente Lula. Entre os focos dessa estratégia estão investigações envolvendo pessoas próximas ao petista, como Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência. Além disso, a campanha pretende explorar temas ligados ao endividamento da população e aos problemas na segurança pública, considerados prioridades para os eleitores. Essa abordagem busca reacender o antipetismo que impulsionou a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, além de reforçar a narrativa de que o país necessita de mudanças urgentes.
Outra frente importante na estratégia de Flávio é o esforço para captar votos de eleitores que atualmente apoiam outros candidatos, como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). O candidato já iniciou ações de apelo direto, pedindo apoio desses segmentos antes mesmo do segundo turno, na tentativa de consolidar uma base ampla e diversificada de eleitores. Internamente, a equipe de campanha avalia que uma vitória no primeiro turno fortaleceria a posição de Flávio nas negociações com partidos que ficaram de fora de sua coligação, uma vez que ele lançou sua candidatura sem apoio formal de nenhuma legenda.
No cenário regional, o Sudeste, que concentra mais de 66 milhões de eleitores — aproximadamente 42% do eleitorado nacional — ganhará atenção especial nos últimos dias de campanha. Segundo pesquisas do Datafolha e da Quaest, a disputa na região entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece bastante equilibrada. O levantamento do Datafolha divulgado em 24 de setembro aponta Flávio com 37% das intenções de voto na região, contra 35% de Lula, com uma margem de erro de três pontos percentuais. Na simulação de segundo turno, o senador do PL lidera com 48% contra 42% do petista. Já a pesquisa da Quaest, divulgada em 21 de setembro, mostra Flávio com 36%, enquanto Lula soma 30%, também com margem de erro de três pontos. No segundo turno, as projeções indicam vantagem de Flávio, com 43% contra 36% de Lula.
Nos próximos dias, a agenda de campanha inclui visitas a estados e cidades estratégicas, como o Rio de Janeiro, Sergipe e Goiânia, além de participações em eventos e debates. Flávio deve comparecer ao debate da TV Globo, previsto para 1º de outubro, oportunidade que será sua primeira exposição direta a Lula nesta campanha. A expectativa é que o candidato utilize o espaço para explorar desgastes do governo atual, com ênfase na segurança pública e na economia, além de tentar consolidar sua imagem como uma alternativa moderada, contrastando com os discursos de seus adversários.
No sábado, 3 de outubro, um ato de motociata em São Paulo está previsto, como parte do esforço de mobilização final. No dia seguinte, Flávio votará na Vila Isabel, no Rio de Janeiro, encerrando sua campanha antes do pleito. A estratégia de pressão, alianças e mobilização visa garantir uma vitória no primeiro turno, o que, segundo aliados, poderia alterar significativamente o cenário político e facilitar a construção de uma base de apoio mais ampla e consolidada para a etapa seguinte da eleição.


