Uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel em parceria com o jornal O Estado de São Paulo, divulgada nesta terça-feira (22 de setembro), revelou que a maioria dos brasileiros desconfia do trabalho e dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o levantamento, 60% dos entrevistados afirmaram não confiar na atuação do STF, enquanto apenas 34% demonstraram confiança na instituição. O estudo foi conduzido entre os dias 17 e 21 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório, e ouviu 1.852 pessoas em todo o país, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O contexto da pesquisa é marcado por um momento de intensa discussão política envolvendo o Supremo Tribunal Federal, especialmente após uma sessão plenária em que os ministros analisaram a possível abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A sessão, porém, foi adiada após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, o que pode influenciar a percepção pública sobre o tema e a confiança na corte.
Além do descontentamento com o STF, os dados revelam que as instituições ligadas à segurança pública gozam de maior confiança entre os brasileiros. A Polícia Civil lidera o ranking, com 60% de aprovação, seguida pela Polícia Federal, com 58%, e pela Polícia Militar, com 56%. Em contraposição, instituições relacionadas à economia e à política apresentam índices mais baixos: o Banco Central registra 47% de confiança, enquanto o governo federal tem 48%. As igrejas também aparecem na lista com índices moderados, sendo a Igreja Católica a mais bem avaliada, com 50%.
No que diz respeito às Forças Armadas, 52% dos entrevistados demonstraram desconfiança, enquanto 48% afirmaram confiar. As igrejas evangélicas também apresentam um índice de 50% de desconfiança, e os governos estaduais têm 49% de desconfiança, indicando um cenário de insatisfação generalizada com várias instituições de poder.
A avaliação dos ministros do STF também revela polarização. Cármen Lúcia e André Mendonça aparecem com os maiores índices de avaliações positivas, ambas com 47%. Flávio Dino e Alexandre de Moraes vêm logo atrás, com 44% e 36%, respectivamente. Por outro lado, as avaliações negativas predominam para alguns ministros: Dias Toffoli lidera com 79%, seguido por Nunes Marques, com 63%. Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes apresentam 59% de avaliações negativas cada, enquanto Edson Fachin soma 54%. Cristiano Zanin e Luiz Fux também têm altos índices de avaliações negativas, com 48% e 49%, respectivamente.
Os dados indicam um cenário de crescente desconfiança na classe política e nas instituições judiciais, refletindo o momento de instabilidade e debates intensos que vêm marcando o ambiente político brasileiro. A pesquisa, ao oferecer um retrato atualizado da opinião pública, evidencia o desafio de fortalecer a confiança nas instituições democráticas e no sistema de Justiça do país.


