A arrecadação do governo federal, composta por impostos, contribuições e demais receitas, totalizou R$ 235,6 bilhões em agosto de 2026, números ajustados pela inflação, representando um crescimento real de 8,25% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este valor, divulgado nesta terça-feira (22/9) pela Receita Federal, configura o melhor desempenho arrecadatório já registrado para o mês na série histórica iniciada em 1995.
De acordo com o Fisco, o desempenho de agosto de 2026 superou todas as expectativas anteriores, consolidando-se como o mês de maior arrecadação para o período. Para contextualizar, a arrecadação de julho, que também foi recorde histórico para o mês, atingiu R$ 289,3 bilhões, porém, ao considerar a inflação, houve uma redução de 18,33% na comparação com agosto, refletindo uma tendência de desaceleração na arrecadação mensal. Mesmo assim, até o momento, a receita total do ano soma R$ 2,11 trilhões, valor que representa uma alta real de 7,12% em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento na arrecadação de agosto é explicado, segundo a Receita Federal, pelo bom desempenho dos principais indicadores macroeconômicos e pelo aumento na arrecadação de tributos específicos. Destacam-se, nesse contexto, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), cuja arrecadação cresceu devido ao desempenho positivo das empresas que recolhem esses tributos por meio de estimativa mensal. Além disso, o crescimento da arrecadação previdenciária também contribuiu para o resultado, impulsionado pelo aumento real da massa salarial e pela redução da desoneração da folha de pagamento.
Outro fator relevante apontado pela Receita é o aumento na arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre ganhos de capital, que apresentou crescimento real de 33,21% em relação a agosto de 2025. Este incremento é atribuído, principalmente, à elevação dos rendimentos de títulos de renda fixa e à tributação de dividendos, refletindo um cenário de maior rentabilidade no mercado financeiro.
No acumulado do ano, a Receita Federal destaca que a melhora no desempenho da arrecadação está relacionada ao comportamento positivo de diversos indicadores econômicos. Entre eles, a arrecadação da contribuição previdenciária, que totalizou R$ 507 bilhões, resultado da combinação do aumento real da massa salarial e da redução de benefícios fiscais na folha de pagamento. Além disso, o crescimento na arrecadação do IRPJ e da CSLL, que somaram R$ 411 bilhões, também contribui para o resultado, impulsionado pelo desempenho do lucro presumido e do ajuste anual, além de pagamentos atípicos que totalizaram R$ 11 bilhões.
Outros setores também apresentaram melhora significativa na arrecadação. O PIS/Cofins, por exemplo, atingiu R$ 412 bilhões, impulsionado pelo fortalecimento do setor de serviços e pelo crescimento na extração de petróleo. Ainda, a arrecadação do IRRF sobre o capital, que somou R$ 118 bilhões, refletiu o desempenho do mercado financeiro e a tributação de dividendos e outros rendimentos de investimentos.
Esses resultados reforçam o cenário de recuperação econômica e de maior arrecadação tributária, que, apesar de apresentarem variações mensais, demonstram uma tendência de crescimento sustentado ao longo do ano. A Receita Federal continuará monitorando esses indicadores, que são considerados essenciais para o planejamento fiscal e para o equilíbrio das contas públicas brasileiras.


