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Dólar mantém estabilidade e Bolsa registra queda diante de juros nos EUA e incertezas eleitorais no Brasil

Dólar mantém estabilidade e Bolsa registra queda diante de juros nos EUA e incertezas eleitorais no Brasil

O mercado financeiro brasileiro apresentou estabilidade na cotação do dólar nesta sexta-feira, 18 de setembro, enquanto a Bolsa de Valores (B3) fechou em queda, refletindo o ambiente de maior aversão ao risco global e as incertezas políticas internas. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,14, com uma leve alta de 0,13%, indicando uma variação mínima que sugere estabilidade na moeda americana frente ao real. Por outro lado, o principal índice da B3, o Ibovespa, caiu 0,37%, fechando aos 185.3 mil pontos, influenciado por fatores internos e externos que impactam o sentimento dos investidores.

A condução dos mercados de câmbio e ações foi marcada por uma postura moderada de cautela, com os investidores atentos principalmente ao comportamento do petróleo, que permanece como uma das principais fontes de pressão inflacionária na economia global. Nesta sexta-feira, o preço do petróleo tipo Brent, referência internacional, recuou 0,91%, fechando em US$ 103,87 por barril, após três sessões consecutivas de queda. Já o West Texas Intermediate (WTI), que serve como referência para o mercado norte-americano, caiu 1,58%, para US$ 100,30 por barril. Na semana, o Brent acumulou uma queda de 0,71%, enquanto o WTI registrou uma alta de 0,25%. Apesar das quedas, os preços permanecem acima do patamar de US$ 100, o que mantém uma preocupação inflacionária no cenário global.

Na comparação com outras economias emergentes, o comportamento do dólar frente ao real foi semelhante ao observado em países como México e Colômbia, cujas moedas também apresentaram valorização de aproximadamente 0,36% contra o dólar às 16h30. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — incluindo euro, iene e libra esterlina —, permaneceu praticamente estável, recuando apenas 0,04%, aos 100,19 pontos, na mesma hora.

As bolsas internacionais também demonstraram um movimento de baixa ou de lateralidade. Na Europa, os principais índices registraram perdas expressivas, com o Stoxx 600, que reúne 17 países do continente, caindo 1,12%. O índice alemão DAX recuou 1,60%, enquanto o francês CAC 40 perdeu 1,49%. O FTSE 100, de Londres, teve uma queda de 1,45%. Nos Estados Unidos, o cenário foi de maior oscilação, com o S&P 500 e o Nasdaq apresentando leves altas de 0,11% e 0,29%, respectivamente, enquanto o Dow Jones caiu 0,12%.

Especialistas apontam que a valorização do dólar e a queda nas bolsas globais foram influenciadas, sobretudo, pela decisão do Banco do Japão (BoJ) de elevar sua taxa de juros para 1,25%, uma medida que reforçou a demanda por ativos considerados seguros e elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, com os títulos de 10 anos acima de 5%. Emerson Junior, responsável pela mesa de câmbio da corretora Convexa, destacou que essa decisão japonesa, aliada ao aumento dos juros nos EUA, contribuiu para o fortalecimento do dólar.

No cenário doméstico, o mercado também reage às incertezas eleitorais e ao sentimento de aversão ao risco, impulsionado pela pesquisa Datafolha divulgada na véspera, que mostra uma disputa apertada entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 46% das intenções de voto, e o ex-deputado Flávio Bolsonaro, com 44%, ambos tecnicamente empatados no segundo turno. Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da mesma corretora, observou que os juros futuros operaram em leve queda, mesmo diante da pressão vinda dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, e que, até o momento, não há um fator claro que justifique a movimentação das taxas brasileiras, especialmente em um contexto de alta dos rendimentos internacionais.

A atenção do mercado de juros agora se volta para a próxima semana, com a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) pelo Banco Central, prevista para terça-feira, 22 de setembro. O documento deve oferecer insights sobre a condução da política monetária no país. Ainda na semana, serão divulgados o Relatório Trimestral de Inflação, na quinta-feira, e o IPCA-15 de setembro, na sexta-feira, que é uma importante referência para a trajetória da inflação no país.

João Vitor Saccardo, outro especialista da Convexa, atribui a queda do Ibovespa a fatores como o aumento dos juros globais, as incertezas eleitorais e preocupações fiscais, destacando que a Petrobras operou em queda após a baixa do petróleo, enquanto ações de bancos e da Vale também tiveram desempenho negativo, com exceção do Banco do Brasil e do BTG Pactual. Ele ressalta que o mercado ainda está assimilando os efeitos das decisões recentes de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

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