A família de Ariel dos Santos Ferreira, de 20 anos, denuncia que o jovem foi vítima de agressões por parte de policiais militares durante uma abordagem ocorrida em Piedade de Ponte Nova, na Zona da Mata de Minas Gerais, no dia 11 de setembro. O episódio, que resultou na morte de Ariel, tem gerado repercussão e levanta questionamentos sobre a conduta policial e as circunstâncias que envolveram o óbito.
Segundo relatos de testemunhas, imagens registradas por moradores mostram o momento em que Ariel é atingido por spray de pimenta pelos policiais, caindo ao chão com dificuldades para respirar. A Polícia Militar afirma que a abordagem ocorreu durante patrulhamento de rotina em uma área conhecida por registros de tráfico de drogas, e que os agentes abordaram um grupo de homens em atitude suspeita. A corporação também informa que, após a abordagem, Ariel teria passado a ofender os policiais e tentado avançar contra a equipe, o que, segundo a versão oficial, justificaria o uso do spray de pimenta.
Entretanto, a família de Ariel apresenta uma versão divergente. A irmã do jovem, Angel, relata que o irmão foi agredido antes mesmo de iniciar qualquer discussão com os policiais. Ela afirma que Ariel foi atingido na nuca por um policial e que, após a ação, houve uma tentativa de diálogo. Angel conta que, após o incidente, um policial confirmou que havia batido na nuca do rapaz, o que ela questiona, já que, segundo ela, o jovem foi atingido antes de qualquer provocação.
Imagens gravadas durante a abordagem mostram Ariel sendo atingido pelo spray de pimenta e, logo depois, caindo no asfalto. A irmã registra que o jovem começou a apresentar dificuldades para respirar após ser atingido na nuca, e que outro policial utilizou o spray. Nas imagens, é possível ver Ariel caído, enquanto familiares e amigos tentam ajudá-lo, pedindo que ele abra a boca e solicitando socorro.
De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, os agentes prestaram os primeiros socorros imediatamente, realizando manobras de reanimação. Contudo, Angel contesta essa versão, afirmando que os policiais não fizeram massagem cardíaca, apenas jogaram água no rosto do irmão e levantaram suas pernas enquanto ele permanecia deitado no chão. A família também questiona a demora no acionamento de uma ambulância e as condições do atendimento no local, além do estado de saúde de Ariel ao chegar ao hospital em Ponte Nova, onde ele já teria chegado sem vida.
Ariel trabalhava como ajudante de obras e foi encaminhado ao hospital local, mas, segundo relatos, seu falecimento ocorreu ainda na ambulância ou logo após a chegada à unidade de saúde. As circunstâncias exatas da morte, assim como a relação entre a abordagem policial e o óbito, ainda não foram esclarecidas oficialmente. A família de Ariel afirma que não recebeu o atestado de óbito até o momento e que o sepultamento ocorreu sem acesso à certidão de óbito, sob a alegação de que a morte precisa ser investigada.
A irmã de Ariel promete buscar responsabilização dos envolvidos caso sejam identificadas irregularidades na ação policial. Ela afirma que continuará lutando por justiça e que não desistirá do caso. Até o momento, não há informações sobre os resultados de exames periciais ou investigações oficiais que possam esclarecer as causas da morte e a conduta dos policiais durante a abordagem.


