O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino abordou, nesta terça-feira (15 de setembro), um vídeo humorístico do comediante Fábio Porchat que satiriza a rotina exaustiva dos jornalistas durante a cobertura da crise institucional vivida pela Corte, relacionada ao Caso Master. Durante a sessão, Dino questionou se o presidente do STF, Edson Fachin, havia assistido ao vídeo, ao que Fachin respondeu que não, justificando que estava ocupado com trabalho no gabinete. Dino então afirmou que a situação retratada na esquete também se aplica aos ministros do Supremo, reforçando a relevância do tema.
No vídeo, Porchat aparece deitado na cama, de pijama, interpretando um jornalista exausto, cansado da rotina de cobertura, marcada por quebras de sigilo e uma enxurrada de decisões judiciais durante a madrugada. A personagem expressa o cansaço de quem precisa dormir, pedindo ao presidente do STF que impeça a divulgação de informações durante o período noturno. A sátira também brinca com o retrabalho causado por mudanças constantes nas decisões judiciais, mencionando a dificuldade de acompanhar as alterações de última hora, como exemplificado na fala: “Apuro tudo, checo as fontes, escrevo a matéria. Quando vou publicar, o Dino tinha botado o cara de volta. Não dá”.
Durante a sessão, Fachin declarou que não havia assistido ao vídeo, alegando que estava focado no trabalho de análise de ofícios recebidos, que, segundo ele, estavam “hemorrágicos”. Dino, então, perguntou se Fachin tinha visto o vídeo de Porchat, ao que o presidente do STF respondeu que não, reforçando que sua atenção estava voltada às tarefas do dia a dia no tribunal. Dino comentou que o vídeo é bastante pertinente, pois demonstra uma realidade semelhante à dos ministros, especialmente em relação à quantidade de petições, decisões e a rotina exaustiva enfrentada por eles.
A discussão ocorreu em um momento de crise sem precedentes na história do STF, marcada por uma verdadeira guerra de ofícios, acusações mútuas e troca de investigações envolvendo ministros. Entre os dias 15 e 16 de setembro, o tribunal vive uma intensa disputa interna, com decisões controversas e mudanças na condução de processos sensíveis. No sábado anterior, Fachin determinou a retirada de Mendonça da relatoria de uma investigação que apura suposto elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Além disso, Fachin ordenou a suspensão temporária das investigações relacionadas ao Caso Master e às fraudes do INSS, encaminhando os processos à Presidência do STF para análise.
A decisão de Fachin também incluiu a negativa de um pedido feito por Gilmar Mendes, que solicitava que uma possível investigação contra André Mendonça fosse conduzida simultaneamente a outras apurações. O magistrado optou por separar as análises, marcando para 23 de setembro a discussão específica sobre a investigação contra Mendonça. Essas ações refletem a complexidade e o momento de instabilidade institucional que o Supremo enfrenta, com diferentes ministros envolvidos em disputas internas e estratégias de gestão dos processos judiciais mais delicados.


