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Mulheres de 90 e 65 anos em situação de trabalho análoga à escravidão são resgatadas em Belo Horizonte

Mulheres de 90 e 65 anos em situação de trabalho análoga à escravidão são resgatadas em Belo Horizonte

Duas mulheres, de 90 e 65 anos, que atuavam como empregadas domésticas para uma família em Belo Horizonte, foram resgatadas nesta quarta-feira (2) após uma operação conjunta realizada pela Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais (SRT-MG) e pelo Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG). As vítimas estavam submetidas a uma rotina exaustiva de trabalho, que incluía tarefas de limpeza, compras e preparo de refeições, inclusive aos domingos, sem acesso a direitos trabalhistas básicos e com restrições à convivência social.

Segundo informações oficiais, uma das mulheres permaneceu na mesma residência por aproximadamente 75 anos, tendo sido transferida de uma geração de empregadores para outra ao longo de sua vida. A outra vítima, de 65 anos, também vivia na mesma situação de exploração. Ambas foram encaminhadas para acolhimento e passaram a receber acompanhamento por parte da rede de proteção social, com o objetivo de garantir seus direitos e oferecer suporte adequado.

A ação ocorreu após denúncias que apontavam condições de trabalho que configuram situação análoga à escravidão, uma prática considerada grave e inadmissível no Brasil. Os órgãos responsáveis afirmaram que, apesar dos empregadores terem alegado uma relação de caráter familiar, as equipes de fiscalização não identificaram elementos que sustentem essa afirmação. A Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais destacou que não foi possível observar uma relação de igualdade entre as partes, uma vez que as vítimas não tiveram acesso às mesmas oportunidades de educação, convivência social ou autonomia na construção de projetos de vida como os demais membros do núcleo familiar.

Além disso, não foram encontrados direitos patrimoniais ou sucessórios que indicassem vínculo de natureza familiar legítima, o que reforça a caracterização da situação como de exploração laboral. O Superintendente Regional do Trabalho em Minas, Carlos Calazans, enfatizou a importância do trabalho realizado, afirmando que a ação resgata direitos humanos e dignidade de pessoas que sofreram abusos e maus-tratos ao longo de toda uma vida. Ele também destacou a gravidade da persistência dessas práticas, mesmo em 2026, reforçando a necessidade de combate contínuo a esse tipo de exploração.

Este tipo de operação representa uma das ações mais relevantes da Superintendência no enfrentamento de condições de trabalho degradantes e na proteção dos direitos das vítimas de trabalho forçado. O caso evidencia a urgência de fiscalização rigorosa e de políticas públicas que garantam a autonomia e o acesso a direitos fundamentais para populações vulneráveis, sobretudo idosos que permanecem em situação de vulnerabilidade por décadas.

A matéria foi produzida por estagiário sob supervisão de Renato Fonseca.

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