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Mercado brasileiro reage positivamente a disputa presidencial acirrada, com queda do dólar e alta na Bolsa

Mercado brasileiro reage positivamente a disputa presidencial acirrada, com queda do dólar e alta na Bolsa

Nesta quarta-feira, 2 de setembro, o mercado financeiro brasileiro apresentou forte reação às recentes pesquisas eleitorais, com destaque para a significativa queda do dólar frente ao real e a expressiva valorização do principal índice da Bolsa de Valores, o Ibovespa. O dólar comercial encerrou o dia com uma queda de 0,93%, cotado a R$ 5,10, refletindo um movimento de ajuste influenciado pelas expectativas de um cenário eleitoral mais equilibrado para as próximas eleições presidenciais de 2026. O Ibovespa, por sua vez, fechou em alta de 3,06%, atingindo 185.200 pontos, após atingir uma máxima de 186 mil pontos às 12h13, impulsionado pelo otimismo dos investidores diante da possibilidade de uma disputa mais acirrada entre os principais candidatos.

A movimentação do mercado foi desencadeada pela divulgação de uma nova pesquisa eleitoral realizada pela Quaest, às 10h15, que revelou um quadro de empate técnico entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, com Lula recebendo 42% das intenções de voto e Flávio 41%. Essa aproximação, que reduziu a diferença de oito pontos percentuais registrada em 26 de julho, de acordo com levantamento anterior, alimentou a expectativa de uma eleição mais competitiva, especialmente entre investidores que preferem um cenário de maior equilíbrio na disputa.

O impacto dessa expectativa se refletiu na descolagem do câmbio brasileiro da tendência internacional. Às 16h25, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — incluindo euro, iene e libra esterlina —, apresentou uma leve queda de 0,08%, situando-se em 99,59 pontos, indicando estabilidade relativa. Enquanto isso, nas bolsas europeias, os principais índices registraram perdas, com o Stoxx 600 recuando 0,21%, o DAX de Frankfurt caindo 0,50% e o CAC 40 de Paris fechando 0,26% em baixa. Londres também apresentou queda de 0,30% no FTSE 100. Em contraste, os mercados de Nova York apresentaram alta, embora modesta, com o S&P 500 subindo 0,25%, o Dow Jones 0,55% e o Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, avançando 0,41%. Comparativamente, o Ibovespa subiu mais de 3% no mesmo período, demonstrando a forte reação do mercado doméstico.

Além do câmbio e da Bolsa, o mercado de commodities também reagiu às tensões geopolíticas, com o preço do petróleo voltando a subir. O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 1,04%, cotado a US$ 95,63, enquanto o WTI, que serve de referência para os Estados Unidos, aumentou 0,61%, chegando a US$ 90,77. Essa alta é atribuída às crescentes preocupações relacionadas ao conflito entre Estados Unidos e Irã, que elevam as incertezas globais.

Especialistas do mercado financeiro destacaram que a expectativa de um segundo turno mais equilibrado entre Lula e Flávio Bolsonaro trouxe maior otimismo quanto à possibilidade de ajustes fiscais, o que atraiu fluxo estrangeiro e resultou na redução dos juros futuros, que recuaram aproximadamente 1% em toda a curva de juros. João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, reforçou que a reprecificação das eleições favoreceu o mercado de ações e a redução dos juros, enquanto Emerson Junior, da mesa de câmbio da mesma corretora, atribuiu a forte queda do dólar a fatores domésticos, especialmente às pesquisas eleitorais, apesar das incertezas jurídicas relacionadas ao caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa, observou que os juros futuros também recuaram de forma generalizada, acompanhando a melhora no câmbio e o desempenho positivo dos ativos domésticos. Ele destacou que a produção industrial de julho, que cresceu 0,2% após dois meses de queda, reforça uma atividade econômica ainda moderada, sem alterar de forma significativa as expectativas sobre a política monetária. Ainda assim, o ambiente externo permaneceu mais cauteloso, com o petróleo em alta devido às tensões internacionais e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) permanecendo sob atenção dos investidores, limitando uma leitura mais otimista para a inflação global.

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