Durante os preparativos para as manifestações do 7 de Setembro, parlamentares alinhados ao espectro político de direita, especialmente bolsonaristas, têm buscado alterar o foco das manifestações tradicionais, tentando direcionar o protesto para uma pauta contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Apesar dessas tentativas, a União dos Movimentos de Direita de Belo Horizonte, responsável pela organização do evento realizado na Praça da Liberdade, mantém o caráter crítico ao governo federal, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os deputados federais Nikolas Ferreira (PL) e Bruno Engler (PL) foram os principais a divulgar, por meio de redes sociais, convites para que seus eleitores participem do protesto com a pauta de “Fora Moraes”. Ferreira e Engler, ambos ligados ao Partido Liberal, têm atuado de forma ativa na mobilização de segmentos de direita e conservadores, e suas manifestações reforçam a tentativa de direcionar o foco do movimento para uma crise institucional envolvendo o ministro do Supremo, que atualmente enfrenta questionamentos por suas relações próximas com o figura política Daniel Vorcaro. Este cenário se insere em um contexto de crise institucional que tem ganhado destaque na agenda política nacional, sobretudo após episódios envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Por sua vez, Cris Guimarães, que lidera a organização do evento na Praça da Liberdade, esclarece que a mudança de foco sugerida por alguns participantes e políticos não foi oficialmente aprovada pela entidade responsável pela mobilização. Em entrevista, Guimarães afirmou que, embora o movimento seja centrado na crítica ao governo Lula, a pauta de “Fora Moraes” tem surgido de forma espontânea entre os participantes, devido aos acontecimentos recentes relacionados ao ministro. Segundo ele, a manifestação do 7 de Setembro continuará com sua pauta original, que é a de protesto contra o governo federal, mas reconhece que há críticas ao Judiciário, embora estas não sejam o foco principal do ato.
Guimarães também afirmou que há uma ligação direta entre o atual governo e os episódios envolvendo Moraes, especialmente no que diz respeito ao escândalo do Banco Master, uma questão que tem sido explorada por segmentos de direita como parte de uma narrativa de crise institucional. Apesar de negar qualquer intuito político ou de campanha, ele reforçou que o evento é aberto a todos os espectros políticos de direita e centro-direita, incluindo aqueles que desejam expressar insatisfação com a gestão de Lula.
A organização do protesto confirmou a presença de diversos parlamentares de direita, sobretudo bolsonaristas, na manifestação na Praça da Liberdade. Entre os nomes confirmados estão Nikolas Ferreira, Pablo Almeida (PL), Cleitinho (Republicanos), Eduardo Azevedo (PL), Vile Santos (PL), Sarsento Jalyson (PL), Domingos Sávio (PL), Marco Antônio Costa, conhecido como “Superman” (Novo), Cabo Junio Amaral (PL), Bruno Engler (PL) e Irlan Melo (PL). A presença desses políticos reforça a tentativa de alguns setores de direcionar o movimento para uma pauta de contestação ao Supremo e ao ministro Moraes, enquanto a organização insiste que o foco principal permanece na crítica ao governo Lula, mantendo a tradição das manifestações de 7 de Setembro no Brasil.


