A poucos dias do início oficial do período eleitoral, as investigações e acusações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes ganham destaque no cenário político brasileiro, influenciando candidaturas e estratégias de campanha. Mesmo antes das revelações recentes no caso conhecido como Master, candidatos ao Senado Federal e à presidência da República, ligados ao bolsonarismo ou à base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, já direcionavam críticas ao ministro, considerado por eles como o principal responsável por atuar contra Bolsonaro e seus aliados. Moraes, que integra o Supremo Tribunal Federal (STF), é frequentemente demonizado por setores da direita como o principal obstáculo às ações do ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão por liderar uma suposta trama golpista. Apesar de o processo que envolve o ex-presidente e as investigações sobre Moraes serem distintos — o primeiro referente a uma tentativa de golpe de estado, o segundo a uma série de ações judiciais relacionadas à sua atuação no STF —, a crise atual amplifica a narrativa de perseguição política, alimentando uma tentativa de vitimização dos condenados.
No centro dessa disputa, surgem também revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, com gravações que expõem um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, empresário ligado à produção de um filme promocional da biografia do próprio Bolsonaro. Essas informações complicam ainda mais o cenário para a família Bolsonaro, tornando o tema uma questão delicada para as candidaturas que tentam consolidar a terceira via, que podem explorar a crise como estratégia, embora com resultados ainda incertos.
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteja diretamente envolvido nas denúncias que envolvem Moraes, há uma percepção de associação política entre o ministro e o chefe do Executivo. Como consequência, Lula tem buscado se distanciar de Moraes, tentando evitar que a crise judicial impacte sua imagem e suas alianças eleitorais. Nesse contexto, candidaturas que pretendem se firmar como alternativa ao tradicional espectro político, especialmente na disputa pelo Palácio do Planalto, podem tentar capitalizar a controvérsia, embora o efeito dessa estratégia ainda seja imprevisível.
A 32 dias do início do período eleitoral, o ministro André Mendonça assume um papel central na disputa, sobretudo por sua influência nos processos que envolvem Moraes e que possuem potencial para moldar a opinião pública. O Supremo Tribunal Federal, que já vive uma tensão interna entre Mendonça e Moraes, tende a ficar ainda mais no centro dos debates eleitorais, especialmente na disputa pelo Senado Federal. As candidaturas que representam o eleitorado bolsonarista tendem a intensificar o tom contra Moraes, independentemente das acusações de irregularidades processuais que recaem sobre Mendonça na condução do caso envolvendo Daniel Vorcaro. No momento, Mendonça já conseguiu deslocar o foco da opinião pública para o ministro Moraes, fortalecendo uma narrativa de conflito interno no STF.
As atenções também se voltam para o caso Dark Horse, em que Flávio Bolsonaro foi apontado como um dos envolvidos, e que, desde maio de 2026, tem colocado Moraes na berlinda, expondo uma disputa judicial e institucional que demonstra como os atores políticos e judiciais estão entrelaçados em uma batalha de narrativas. A mudança de “donos” dessa disputa evidencia a volatilidade do cenário, deixando no ar a questão de por quanto tempo essa crise interna do Supremo poderá perdurar, influenciando o clima político e eleitoral do país nos próximos dias.


