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Último debate do primeiro turno ocorre sem a presença de Lula e com Flávio Bolsonaro participando pela primeira vez

Último debate do primeiro turno ocorre sem a presença de Lula e com Flávio Bolsonaro participando pela primeira vez

O último debate entre candidatos à Presidência antes do primeiro turno das eleições de 2024 está marcado para esta quinta-feira, dia 1º de outubro, e será realizado sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa ausência é significativa, pois Lula, que também optou por não participar dos debates anteriores nesta campanha, decidiu não comparecer ao confronto televisivo, que está agendado para começar às 21h30. Em seu lugar, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que também não participou dos encontros anteriores, deve participar pela primeira vez de um debate nesta eleição, marcando uma mudança no cenário de confrontos diretos entre os candidatos.

Lula comunicou à TV Globo que não participará do debate e, no mesmo horário, deve conceder uma entrevista ao Flow Podcast, prevista para às 20h45. Assim, chegará às urnas no próximo domingo, dia 4 de outubro, sem ter enfrentado seus principais adversários em debates televisivos nesta campanha. A estratégia de Lula de evitar confrontos diretos reflete o receio de se tornar alvo de ataques por parte dos demais candidatos, especialmente aqueles do espectro da direita, que têm utilizado esses encontros para reforçar suas críticas ao petista e ao seu governo.

A decisão de Lula de não comparecer ao debate gerou divisão dentro de sua equipe e entre aliados próximos, que discutiram a estratégia de exposição do presidente. Ainda assim, prevaleceu a avaliação de que sua participação poderia expô-lo a ataques mais incisivos, além de limitar seu tempo para apresentar propostas de governo. Apesar disso, há a possibilidade de Lula participar de debates com Flávio Bolsonaro no segundo turno, caso avance na disputa.

Historicamente, Lula já deixou de participar do último debate antes do primeiro turno em 2006, quando também buscava a reeleição. Naquele ano, sua ausência, que ocorreu em um encontro da Globo realizado três dias antes da votação, foi explorada pelos adversários, contribuindo para uma campanha marcada por ataques e estratégias de desgaste. Lula terminou aquele primeiro turno com 48,61% dos votos válidos, enfrentando Geraldo Alckmin, do PSDB, no segundo turno. Posteriormente, o petista reconheceu, durante o horário eleitoral, que sua ausência nos debates naquele momento foi um erro, admitindo que isso dificultou sua vitória no primeiro turno.

Para este debate de 2024, a expectativa é que Flávio Bolsonaro esteja no estúdio ao lado de outros candidatos, como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Com Lula ausente, aliados do senador esperam que grande parte dos ataques dos demais concorrentes se concentre nele, aproveitando a oportunidade para reforçar críticas ao governo e à gestão atual. A estratégia de Flávio também visa conquistar votos de eleitores indecisos ou que ainda apoiam outros candidatos, especialmente na reta final da campanha, que tem poucos eventos de grande alcance antes do dia da votação.

A campanha de Flávio Bolsonaro também monitora possíveis ataques relacionados a controvérsias envolvendo o senador. Entre elas, a circulação de notícias falsas sobre uma suposta intenção de Flávio de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, o que ele nega categoricamente, mas que gerou desgaste nas redes sociais nos últimos dias. Além disso, há preocupação com o episódio envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a divulgação de áudios e mensagens nos quais Flávio teria solicitado recursos financeiros ao banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de a campanha considerar que o impacto dessa controvérsia diminuiu, ela ainda é vista como uma das principais questões que podem ser exploradas pelos adversários na reta final da campanha.

A participação de Flávio Bolsonaro no debate também é vista como uma oportunidade de ampliar sua presença na disputa, sobretudo por ele estar se preparando para explorar a ausência de Lula e reforçar críticas ao governo, especialmente nos temas de economia e segurança pública. A estratégia de sua equipe é aproveitar o momento para consolidar o apoio de eleitores que ainda não definiram seu voto e conquistar novos segmentos, especialmente aqueles que podem ser influenciados por uma exposição maior na televisão.

Por fim, a ausência de Lula no debate de quinta-feira evidencia uma tática de campanha que busca evitar confrontos diretos nesta fase final, enquanto Flávio Bolsonaro busca capitalizar a oportunidade de se posicionar como uma alternativa viável no cenário eleitoral, mesmo em um momento de baixa exposição nacional.

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