O terreno do senador Jaques Wagner (PT-BA), localizado em Camaçari, na Bahia, registrou uma valorização de 11.400% ao longo de 26 anos, passando de um valor de compra de R$ 28 mil em 2000 para estimativas de venda na casa de milhões de reais. A elevação acompanhou a construção da Via Metropolitana de Camaçari, inaugurada em 2018, e foi notícia días antes de Wagner se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal. A reportagem, publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN Brasil por meio de documentos, aponta que a venda pretendida pelo parlamentar ocorreu um dia após a PF deflagrar diligências relacionadas ao caso do extinto Banco Master.
O histórico de aquisição do imóvel mostra que, em 20 de março de 2000, Jaques Wagner comprou o terreno por R$ 28 mil. Segundo as informações, o valor corrigido pela inflação chega a R$ 133,8 mil. Em meses recentes, a tentativa de venda ficou conhecida ao se anunciar um interesse por R$ 15 milhões. O interessado seria a Lagoons Empreendimentos, com Alex Grangeon Trancoso Neves listado como um dos sócios, e com capital social declarado de apenas R$ 1 mil. O histórico de transação envolve a venda do terreno pela Traneves Patrimonial, empresa na qual Alex Grangeon Trancoso Neves também atua, conforme os documentos mencionados pela imprensa.
A tramitação do imóvel enfrentou entraves judiciais. Um cartório de Camaçari interrompeu a transmissão após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou bens ligados a Jaques Wagner. Interlocutores do STF indicam que a medida é comum quando medidas investigativas atingem pessoas sob suspeita ou alvo de investigações. A CNN afirmou ter tentado contato com o senador, sem obter retorno até o momento.
Em entrevistas concedidas, Wagner negou qualquer relação entre a valorização do terreno e a inauguração da rodovia. Em declaração à rádio Andaiá FM, ele afirmou que a obra não envolveu desapropriação paga, destacando a opção de não exigir desapropriação para o traçado da Via Metropolitana. O político comentou ainda sobre a rota da estrada, afirmando que o traçado escolhido pela equipe técnica “cortou lá um pedaço do terreno” e que não cobraria desapropriação. O episódio é citado como parte de uma linha de defesa apresentada pelo senador, que também destacou o papel dele na concepção da obra.
Nas redes sociais, Wagner já havia comentado sobre a Via Metropolitana: ele recordou o início do projeto, produzido com a participação de Rui Costa. Em publicação que circulou online, o senador destacou que a via “nos daria a possibilidade de construir o novo Centro de Treinamento do Esporte Clube Bahia” — uma referência à visão de uso do espaço urbano resultante da infraestrutura viária, ligada à melhoria de mobilidade regional e ao potencial de desenvolvimento esportivo.
O caso está prosperando no âmbito público pela confluência entre valorização imobiliária, obras viárias de grande impacto regional e investigações em curso. A matéria, apurada com base em reportagens da Folha de S.Paulo e documentos fornecidos à CNN Brasil, aponta que a valorização de imóveis ligados a decisões de infraestrutura pode ocorrer de forma acelerada quando projetos de grande porte passam a integrar o traçado urbano, especialmente em áreas disputadas economicamente. A defesa de Wagner sustenta que não houve conexão entre a apreciação do terreno e as decisões administrativas associadas à obra, enfatizando a independência entre ações de infraestrutura e operações imobiliárias. O tema permanece sob acompanhamento, com novas informações ainda a serem investigadas pelas autoridades competentes.


