A técnica agrícola Taís Simone Prado Leal, de 52 anos, natural do Rio Grande do Sul e residente em Petrolina, Pernambuco, foi presa a mando do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por descumprir medidas cautelares relacionadas aos atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023. A prisão ocorreu após a revogação de um acordo de não persecução penal (ANPP) que Taís havia firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em março de 2024, no qual confessou ter participado de um acampamento golpista em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.
Em março de 2025, o ministro Moraes decidiu rescindir o ANPP e impôs medidas cautelares, baseando-se em novas evidências apresentadas pela Polícia Federal (PF). A investigação revelou que dados extraídos do celular de Taís indicavam uma participação mais ativa nos eventos de 8 de janeiro do que o que ela havia admitido anteriormente. A geolocalização do dispositivo mostrou que, no dia dos atos, Taís estava presente na Esplanada dos Ministérios, contradizendo sua afirmação de que se encontrava em Natal, no Rio Grande do Norte, e que seguiria para Brasília apenas no dia 8.
Durante os tumultos de 8 de janeiro, manifestantes invadiram e depredaram prédios públicos, exigindo a intervenção militar no Brasil. A PF também encontrou vídeos que mostravam Taís na Esplanada, entre outros participantes dos atos, além de mensagens de texto em que ela sugeria que a solução para remover Luiz Inácio Lula da Silva da presidência poderia envolver apoio de CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores). Em uma dessas mensagens, Taís questionou se os CACs iriam “entregar suas armas”.
O ministro Moraes justificou a decisão de prender Taís pelo fato de ela não ter comparecido para cumprir a medida de uso de tornozeleira eletrônica. Ele também destacou que a Secretaria de Administração Penitenciária de Pernambuco (Seape-PE) havia tentado contato com a técnica agrícola diversas vezes, sem sucesso na localização.
A defesa de Taís Simone Prado Leal, ao ser contatada pela reportagem do Metrópoles, informou que se manifestará apenas nos autos do processo, sem fornecer declarações adicionais no momento. A prisão de Taís ocorre em um contexto de crescente vigilância sobre as ações de indivíduos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, que geraram forte repercussão e discussões sobre a segurança e a integridade das instituições democráticas no Brasil.


