O senador Flávio Bolsonaro foi oficializado como candidato do PL à Presidência da República em convenção realizada neste sábado (25), em uma área de eventos do estádio Pacaembu, na capital paulista. O encontro reuniu lideranças da direita paulista e de diferentes regiões do país, com o espaço atingindo lotação máxima e a organização interrompendo a entrada de novos apoiadores por medidas de segurança. A convenção, que contou com a presença de convidados nacionais e mensagens de apoio de figuras ligadas ao núcleo da chamada “onda azul”, marcou um momento decisivo para a candidatura de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que também figura no debate político em meio a críticas à gestão anterior.
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro confirmou que o pai, Jair Bolsonaro, condenado por uma tentativa de golpe de Estado e cumprindo prisão domiciliar desde março, deverá subir à rampa do Palácio do Planalto ao lado dele em janeiro de 2027. “A justiça começa hoje e aqui. Nós vamos escrever um novo capítulo na história do Brasil. Por isso, conto com cada um de vocês para fazer com que essa onda azul chegue ao nosso país. Chega! Tá na hora de virar essa história triste que vive o Brasil”, afirmou o senador.
O candidato também enfatizou que a liberdade de imprensa e de crítica pode estar sob risco caso Lula seja reeleito, questionando o que poderia ocorrer se o ex-presidente indicar mais ministros ao STF. “Imagine ele [Lula] indicando mais quatro ministros Alexandre de Moraes. Para onde esse país vai?”, indagou, referindo-se a críticas existentes sobre o papel do Supremo Tribunal Federal na política nacional.
Contexto da Onda Azul e presença de Milei
A referência à “Onda Azul” — o movimento conservador que vem ganhando força na América do Sul — ganhou contornos internacionais durante a convenção. O grupo atribui à direita regional a responsabilidade por mudanças políticas profundas em vários países da região. Ainda conforme o que foi apresentado durante o encontro, a tal corrente já teve destaque em outros países: neste ano, por exemplo, apoiou a eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia, além de manter uma presença expressiva em diversos governos sul-americanos. Em termos geopolíticos, o bloco é apresentado como capaz de ampliar a influência de forças conservadoras, com sete dos 12 países da América do Sul, segundo a visão bolsonarista, sob governos de direita.
Entre os convidados de maior projeção, o presidente da Argentina, Javier Milei, foi o destaque de maior repercussão. Milei declarou apoio a Flávio Bolsonaro e indicou que espera que a mesma onda de direita que se espalha pela região chegue ao Brasil. Em tom agressivo, o argentino afirmou que “esquerdistas de merda” teriam contribuído para a pobreza da Argentina, e disse que o Brasil pode contar com Flávio para conter “a escória socialista”. As palavras foram recebidas com aplausos, reforçando a imagem de alinhamento entre lideranças conservadoras de diferentes países, em tom militante e de ruptura com políticas de esquerda.
Participações especiais e mensagens de familiares
Em circunstância descrita pela assessoria como surpresa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro enviou um vídeo de apoio a Flávio. A ausência física da esposa de Jair Bolsonaro foi justificada com a necessidade de cuidar do marido, que na ocasião era citado pela saúde como motivo de limitações. Michelle dedicou particularmente aos apoios das mulheres conservadoras, pedindo proteção e sabedoria para Flávio e para a família na missão política. Em sua mensagem, reforçou a ideia de que a candidatura do enteado depende de unificação entre simpatizantes do movimento do 7 de setembro e de famílias conservadoras.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, indicado de forma reiterada durante o evento, também teve sua situação de saúde mencionada. Em meio a crises de soluços, ele não pôde participar fisicamente, mas foi citado pela família e pelos apoiadores como parte central da mobilização de base. Michelle, ao agradecer o apoio, enfatizou a importância de se manter o foco no objetivo de fortalecer a candidatura de Flávio.
Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que permanece no exterior desde que se afastou da política brasileira, enviou vídeo no qual lembrou a figura do pai e reforçou a necessidade de união entre as forças ligadas ao clã. Em seu discurso, ele destacou a ideia de que Flávio poderia “soltar” Jair Bolsonaro e anistiar os presos ligados aos atos de 8 de janeiro, além de defender a luta contra o que chamou de “corja do Foro de São Paulo”.
Outro vídeo exibido na convenção contou com o apoio de Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-vereador do Rio de Janeiro, que chorou ao pedir apoio ao irmão. Ele ressaltou a luta política da família e afirmou que o pai é vítima de ataques constantes, manifestando a esperança de que Flávio possa liderar um movimento capaz de livrar o Brasil do PT.
Apoios de figuras fora do PL e dinamismo da campanha
Apesar de não pertencerem ao PL, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), compareceram à convenção para declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Tarcísio enfatizou o legado de Jair Bolsonaro ao lembrá-lo como responsável por conduzir o país durante um período de adversidades, enquanto Nunes descreveu o momento como uma virada histórica para a eleição presidencial, destacando a importância da mobilização de uma frente de apoio à candidatura da família Bolsonaro.
O bojo da organização de campanha ficou a cargo do senador Rogério Marinho (PL), que atuou como coordenador. Em sua fala, ele destacou que Jair Bolsonaro foi o responsável pela união em torno da candidatura de Flávio, afirmando que a legenda não permitirá que a história seja silenciada. “Bolsonaro é o propósito da gente estar aqui hoje. É ele que nos inspira. Tentaram calar Bolsonaro, mas nós seremos a sua voz”, disse, reforçando a ideia de vitória e de retorno do Brasil aos brasileiros.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e pré-candidato ao Senado por São Paulo, André do Prado, completou o tom da convenção ao defender que o momento é histórico e pedir aos eleitores que não errem o caminho. Ele afirmou que a aliança é necessária para transformar o país, afirmando que “nós somos os soldados de Jair Bolsonaro” e que o objetivo é unir forças para livrar o Brasil de críticas ao governo anterior.


