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Pesquisa revela disparidades na estrutura e qualidade das UTIs públicas e privadas no Brasil

Pesquisa revela disparidades na estrutura e qualidade das UTIs públicas e privadas no Brasil

Uma pesquisa conduzida com médicos que atuam em unidades de terapia intensiva de alta complexidade em hospitais brasileiros aponta para uma significativa disparidade entre as UTIs públicas e privadas no país. O levantamento, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), entrevistou um total de 2.338 profissionais de saúde e revelou diferenças substanciais na disponibilidade de recursos, na qualidade do atendimento e na infraestrutura oferecida por esses setores.

De acordo com os dados coletados, apenas 22,7% dos médicos consideram a rede de UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) completamente adequada para o cuidado de pacientes críticos. Em contrapartida, 57,7% dos profissionais avaliando unidades privadas apontaram uma oferta de recursos compatível às necessidades clínicas. Quanto à disponibilidade de medicamentos, 16,1% dos médicos que atuam na rede pública classificaram o fornecimento como inadequado ou totalmente inadequado, enquanto na rede privada esse percentual cai para 3,8%. Esses números evidenciam uma deficiência estrutural mais acentuada no setor público, que impacta diretamente na qualidade do atendimento.

No aspecto de leitos, a percepção dos profissionais também difere significativamente. Para 32,6% dos médicos do SUS, a quantidade de leitos disponíveis é considerada ruim, e 27,4% atribuem a pior nota possível aos protocolos de atendimento utilizados na rede pública. Já na rede privada, esses índices são de 7,7% e 14,3%, respectivamente, indicando uma maior satisfação com as condições de infraestrutura e procedimentos clínicos na iniciativa privada.

O presidente da Amib, Cristiano Franke, destacou que a diferença na percepção entre os setores reflete a capacidade de resposta das equipes de saúde na atenção ao paciente crítico. Segundo ele, essa capacidade envolve não apenas a disponibilidade de leitos, mas também o acesso a medicamentos, protocolos bem estabelecidos e recursos humanos qualificados. Franke reforçou a necessidade de priorizar a redução dessa desigualdade estrutural na agenda da saúde pública brasileira, considerando que ela impacta diretamente na qualidade do cuidado oferecido aos pacientes.

A pesquisa também revelou disparidades na composição das equipes multidisciplinares. Para 39,2% dos médicos, a presença de profissionais especializados na rede privada é de alta qualidade, com nota máxima, enquanto na rede pública esse percentual cai para 23%. Quanto à presença de enfermeiros especializados em terapia intensiva, 25,1% dos profissionais que atuam na iniciativa privada atribuíram a nota máxima, contra 16,9% dos que trabalham no setor público. Essas diferenças refletem a maior valorização e estruturação das equipes na iniciativa privada.

Outro ponto destacado pela pesquisa foi a interação entre equipes de diferentes setores do hospital. Para 30,7% dos médicos, a comunicação na rede privada é considerada muito boa, enquanto apenas 14,5% avaliam a mesma qualidade na rede pública. Em relação aos protocolos de passagem de plantão, 27,8% dos profissionais que atuam na iniciativa privada deram a melhor avaliação, frente a apenas 14,5% na rede pública.

Franke reforçou que, além de investimentos em infraestrutura e recursos humanos, é fundamental promover a integração das equipes e a padronização de protocolos clínicos. Ele destacou que a digitalização de processos, a padronização de fluxos de informações e o fortalecimento da comunicação interna podem liberar mais tempo dos profissionais para o cuidado direto ao paciente, contribuindo para melhorias na assistência.

Por fim, o levantamento será compartilhado com gestores públicos e privados, além de autoridades de fiscalização e controle, com o objetivo de fomentar investimentos e promover mudanças na rede hospitalar de urgência. O documento busca oferecer um diagnóstico detalhado das condições atuais das UTIs brasileiras, evidenciando a necessidade de ações coordenadas para reduzir as desigualdades e aprimorar a qualidade do atendimento em todo o país.

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