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Nova técnica de reconstrução do clitóris durante tratamento de câncer de vulva apresenta altos índices de recuperação da sensibilidade sexual

Nova técnica de reconstrução do clitóris durante tratamento de câncer de vulva apresenta altos índices de recuperação da sensibilidade sexual

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda, desenvolveram uma inovadora técnica de reconstrução do clitóris que pode ser aplicada durante o tratamento cirúrgico do câncer de vulva. A iniciativa representa um avanço significativo na preservação da função sexual de pacientes que precisam remover parte ou a totalidade do órgão devido à presença de tumores, uma condição que, até então, frequentemente resultava na perda da sensibilidade e na impossibilidade de orgasmo.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista científica Gynecologic Oncology, envolveu 18 mulheres submetidas ao procedimento, das quais 16 relataram conseguir alcançar orgasmo clitoriano após a cirurgia, o que corresponde a uma taxa de sucesso de aproximadamente 88,9%. Esses dados indicam uma melhora considerável em relação às abordagens tradicionais, que geralmente priorizavam o fechamento da ferida cirúrgica sem foco na recuperação da função sexual. Antes da inovação, a prática comum era fechar a ferida deixando o tecido remanescente sob uma camada de pele, com atenção limitada à preservação da sensibilidade.

A técnica foi desenvolvida pela ginecologista oncológica Mieke ten Eikelder e pelo cirurgião plástico Tim Nijhuis. Ela consiste na utilização do tecido preservado após a remoção do tumor, com o objetivo de formar uma nova ponta do clitóris. Para isso, os profissionais liberam e reposicionam estruturas nervosas e vasos sanguíneos, criando uma nova extremidade do órgão que mantém sua sensibilidade. Como complemento, é utilizado um pequeno enxerto de mucosa retirado da boca do paciente para recobrir a área reconstruída, contribuindo para a estética e funcionalidade do novo clitóris.

Segundo o estudo, a adaptação dessa técnica, que já era empregada em procedimentos de reconstrução após mutilação genital feminina, acrescenta aproximadamente 15 minutos ao tempo cirúrgico. A preservação de nervos e vasos sanguíneos é fundamental para manter a sensibilidade e a funcionalidade do órgão reconstruído. Apesar de duas das 18 pacientes apresentarem complicações específicas relacionadas à reconstrução, a proporção de problemas foi de apenas 11,1%, indicando uma relativa segurança do procedimento.

O câncer de vulva é uma condição rara que afeta a região externa dos órgãos genitais femininos, incluindo lábios, clitóris e períneo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é mais frequente após a menopausa e pode estar relacionada à infecção pelo HPV, além de fatores como doenças crônicas de pele e o enfraquecimento do sistema imunológico.

A experiência inicial com o procedimento na Holanda aponta que cerca de 90% das mulheres que passaram pela cirurgia conseguiram retomar a capacidade de alcançar orgasmo clitoriano, geralmente entre três e seis meses após a operação. A sensibilidade na região pode variar inicialmente, mas a recuperação plena costuma ocorrer em até um ano.

A técnica está sendo atualmente incorporada a outros hospitais do país dentro de um programa de pesquisa, com o objetivo de avaliar seus efeitos sobre a função sexual e a qualidade de vida das pacientes. Os especialistas destacam que, embora o procedimento seja tecnicamente viável, ainda há a necessidade de estudos prospectivos com acompanhamento planejado para determinar sua eficácia a longo prazo e aprimorar as estratégias de reabilitação sexual após o tratamento do câncer de vulva.

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