Marina Silva, ex-senadora por 16 anos e duas vezes ministra do Meio Ambiente, figura entre os principais nomes cotados para disputar novamente uma vaga ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. Atualmente deputada federal, ela participa das negociações que vise sustentar as candidaturas de Fernando Haddad ao governo do estado e de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, como parte da federação que envolve Rede Sustentabilidade e PSOL. A formação da chapa ainda está em negociação entre os partidos da base governista. Além de Marina, também disputam espaço na chapa o ex-ministro Márcio França, do PSB, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, do mesmo partido. Apesar da indefinição, Marina afirmou estar à disposição da federação Rede-PSOL caso seu nome seja o escolhido.
As pesquisas recentes colocam Marina Silva entre os nomes de maior repercussão na disputa pelas vagas ao Senado em São Paulo, ao lado de Simone Tebet, segundo apontamentos de cenários eleitorais. Em meio a esse cenário, Marina explicou que o PSOL tem uma bancada de seis deputados federais e histórico de participação no segundo turno no Estado, destacando que, no seu entendimento, é justo que o partido seja representado em uma chapa majoritária, afirmando a posição em defesa da aliança com a sigla.
Da origem humilde ao protagonismo político
Nascida no seringal Bagaço, na zona rural do Acre, Marina Silva cresceu em uma família de seringueiros e enfrentou dificuldades de acesso à educação. Alfabetizada apenas na adolescência, por meio do Mobral, concluiu os estudos já adulta e formou-se em História pela Universidade Federal do Acre (UFAC). A trajetória escolar e as condições de vida da infância moldaram uma das marcas de sua carreira política.
A militância iniciou-se nos movimentos sociais vinculados à Igreja Católica, aos seringueiros e às Comunidades Eclesiais de Base. Em 1984, participou da fundação da CUT no Acre, ao lado de Chico Mendes, líder ambientalista assassinado em 1988. No ano seguinte, filiou-se ao PT, legenda pela qual atuou por quase três décadas. Sua primeira experiência institucional ocorreu como vereadora de Rio Branco, em 1988. Entre 1991 e 1994, foi deputada estadual no Acre, e entre 1995 e 2011 exerceu o mandato de senadora pelo mesmo estado, consolidando-se como figura de relevância nacional.
Entre 2003 e 2008, Marina serviu como ministra do Meio Ambiente durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. O período ficou marcado pela implementação de políticas ambiciosas de proteção à floresta e por operações de combate a grileiros, madeireiros e garimpeiros ilegais. A atuação resultou na redução histórica da taxa de desmatamento na Amazônia até então, além de prisões e desmantelamentos de estruturas ilegais ligadas a atividades extrativistas.
Ao deixar o cargo em 2008, por divergências internas relacionadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Marina deixou o PT pouco tempo depois. Fundou a Rede Sustentabilidade, pela qual disputou a Presidência da República em 2010, 2014 e 2018, sem chegar ao segundo turno. Com a eleição de Lula em 2022, aproximou-se novamente do PT e apoiou a candidatura dele à Presidência. Nesse ano, foi eleita deputada federal por São Paulo, com mais de 236 mil votos. No ano seguinte, licenciou-se do mandato para retornar ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, cargo que ocupa, segundo a referência, até hoje.
O que Marina Silva defende
A linha política de Marina continua centrada na agenda ambiental, defendendo a ideia de que a preservação ambiental e o crescimento econômico não são objetivos opostos. Em entrevista recente, ela citou dados da gestão governamental para sustentar que é possível conciliar desenvolvimento com proteção ambiental, mencionando, por exemplo, crescimento do setor agrícola.
Ela também indicou números apresentados pela gestão atual para fundamentar sua visão: redução de desmatamento de 50% na Amazônia, queda de 32% no desmatamento em todo o país, diminuição das queimadas em mais de 75% e abertura de mais de 500 mercados para a agricultura brasileira. Além disso, aliados de Haddad destacam a habilidade de Marina para dialogar com segmentos do eleitorado evangélico, em linha com a diversidade religiosa que a rodeia. Questionada sobre o tema, a pré-candidata defendeu o respeito à pluralidade religiosa e afirmou que a principal contribuição histórica da tradição protestante foi a defesa do Estado laico, para “defender os interesses de quem crê, de quem não crê, independente do credo, independente da orientação sexual”.
Sobre um possível quarto mandato de Lula, Marina afirmou que a composição do governo é prerrogativa do presidente, mas reiterou o compromisso com a candidatura ao Senado. Também decidiu não concorrer à Câmara dos Deputados, abrindo espaço para outros nomes da Rede, como Marina Helô, Rodrigo Agostinho e o professor Ricardo Galvão, conforme o cenário interno da federação.


