O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem previsão de não participar do debate promovido pela TV Globo, agendado para esta quinta-feira, 1º de outubro, último encontro antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2023. Caso a ausência seja confirmada, o candidato do PT encerrará a fase inicial da campanha eleitoral sem confronto direto com os demais concorrentes, marcando uma estratégia de evitar possíveis ataques dos adversários.
Até a terça-feira, 29 de setembro, Lula não havia comunicado oficialmente à emissora sua decisão de participar ou não do debate. No entanto, integrantes da equipe de campanha manifestaram a avaliação de que o presidente preferiria ficar de fora do confronto, considerando que sua presença poderia expô-lo a ataques mais intensos, especialmente por parte de candidatos do campo da direita. Essa percepção ganhou força após o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciar sua participação no debate, o que reforça a estratégia de alguns adversários de tentar confrontar Lula de forma mais direta nesta fase final da campanha.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, vinha adotando uma postura de só comparecer a debates caso Lula também estivesse presente, uma estratégia que, mesmo com a ausência do presidente, deve ser mantida nesta ocasião. A decisão de Flávio contraria a orientação de aliados mais ideológicos, que acreditam que, sem Lula no debate, o senador se tornará o principal alvo dos demais candidatos, expondo-se a ataques na reta final do primeiro turno. Essa estratégia, segundo esses aliados, pode acabar por prejudicar a própria campanha de Flávio, ao aumentar a exposição a críticas de adversários.
Nos últimos dias, Lula tem buscado evitar desgastes na reta final da campanha, o que explica sua preferência por participar de entrevistas, sabatinas e podcasts, formatos nos quais consegue maior controle sobre a agenda e o conteúdo das entrevistas. Essa estratégia tem sido utilizada para manter sua presença na mídia e atingir diferentes públicos, especialmente após seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto, impulsionado por um episódio polêmico envolvendo Nossa Senhora Aparecida, que impactou a campanha do principal adversário.
De acordo com levantamento divulgado na segunda-feira, 28 de setembro, pela pesquisa Quaest, Lula oscilou dois pontos percentuais para cima, atingindo 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o candidato do PL, que aparece com 34%, variou um ponto positivo. A pesquisa também mostrou aumento no apoio ao petista entre segmentos religiosos: entre católicos, Lula passou de 43% para 48%, e entre evangélicos, de 23% para 27%.
Outra pesquisa, do BTG/Nexus, também apontou uma oscilação de dois pontos para Lula, que chegou a 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro manteve seus 37%. Essas variações indicam uma tendência de crescimento para Lula, que tenta consolidar sua vantagem na reta final da campanha.
Para compensar sua ausência nos debates, Lula tem participado de entrevistas em podcasts e outros formatos alternativos, incluindo os podcasts Meteoro Brasil, Inteligência LTDA, Não Inviabilize, As Cunhãs e Desce a Letra. Além disso, sua campanha negocia uma entrevista com um podcast de grande audiência, marcada para o mesmo horário do debate na TV Globo, às 21h20, buscando ampliar sua presença na mídia de forma controlada.
Nos próximos dias, Lula intensificará sua agenda na região Sudeste, após uma passagem pelo Norte e Nordeste. Nesta quarta-feira, 30 de setembro, ele estará em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, ao lado do candidato ao governo de Minas Gerais, Patrus Ananias (PT), e de candidatos ao Senado. Na sexta-feira, 2 de outubro, participa de caminhadas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, enquanto no sábado, 3 de outubro, realiza o ato final de campanha em São Paulo. Em todos esses eventos, estão proibidos comícios e o uso de sonorização fixa, sendo permitida a distribuição de material gráfico e a realização de caminhadas, carreatas ou passeatas, com ou sem veículos de som.
Lula também indicou que pretende acompanhar a apuração do primeiro turno na capital paulista, onde possui residência fixa, embora seu voto seja realizado em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Essa estratégia de mobilização final visa consolidar sua base de apoio e reforçar sua presença no cenário eleitoral até o dia da votação.


