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Lourdes Melo é pré-candidata ao Governo do Piauí pelo PCO em 2026, em sua sexta tentativa eleitoral

Lourdes Melo é pré-candidata ao Governo do Piauí pelo PCO em 2026, em sua sexta tentativa eleitoral

A professora aposentada e militante sindical Lourdes Melo (PCO) foi apresentada como pré-candidata ao Governo do Piauí nas eleições de 2026, marcando a sexta tentativa de participação em disputas proporcionais ou majoritárias ao longo de sua trajetória política. O Partido da Causa Operária (PCO) informou que pretende lançar uma chapa própria no estado, embora os nomes para os demais cargos ainda estejam em discussão.

Natural de Pedreiras, no Maranhão, Lourdes Melo fixou residência em Teresina, onde atuou como professora da rede estadual e da rede municipal de ensino. Aposentou-se do serviço público municipal, mas manteve forte atuação nas mobilizações da categoria e na oposição sindical na educação. Ao longo de sua atuação, participou de ações por reajustes salariais, defesa dos direitos trabalhistas e melhoria das condições das escolas públicas. Ela integra o movimento Educadores em Luta, que atua como corrente de oposição à direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí (Sinte-PI). Também participa do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, ligado às pautas feministas e socialistas defendidas pelo PCO.

A trajetória partidária de Lourdes começou no Partido dos Trabalhadores (PT). Sua primeira candidatura ocorreu em 1992, quando disputou uma vaga à Câmara Municipal de Teresina pelo PT, ficando na condição de suplente. Em seguida, afastou-se do PT e ingressou no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Em 2002, concorreu ao cargo de vice-governadora do Piauí em uma chapa do PSTU. Após passagem pela legenda, passou a integrar o PCO, hoje em sua sigla de filiação.

Entre as candidaturas disputadas pelo Governo do Piauí, Lourdes participou de disputas em 2006, 2010, 2014 e 2018, sem obter êxito. Em 2022, tentou novamente concorrer ao governo estadual, mas a candidatura foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI). A decisão ocorreu porque o PCO apresentou fora do prazo a substituição do candidato a vice-governador; o Ministério Público Eleitoral opinou pelo indeferimento da chapa, entendimento acolhido por unanimidade pelo tribunal. Assim, os votos atribuídos a Lourdes não foram considerados válidos para o resultado da eleição.

Além das disputas estaduais, Lourdes participou de diferentes eleições municipais em Teresina. Foi candidata à Prefeitura da capital em 2008 e 2016, e integrou chapa como candidata a vice-prefeita em 2012. Em 2020, houve outra tentativa de disputar a prefeitura, mas a candidatura foi indeferida. Quatro anos depois, voltou a concorrer ao Executivo municipal pelo PCO. Apesar das várias participações, Lourdes não ocupou nenhum mandato eletivo.

A pré-candidata reconhece que o PCO enfrenta dificuldades para percorrer os 224 municípios do Piauí e para enfrentar, em igualdade de condições, as estruturas de partidos maiores. Segundo ela, a legenda não dispõe da mesma base financeira, estrutural e de comunicação dos concorrentes mais robustos. Nesse cenário, as candidaturas são apresentadas como oportunidade para divulgar o programa socialista do PCO, defender as reivindicações dos trabalhadores e ampliar a presença do partido no debate público.

Quanto às perspectivas de vitória, Lourdes admite que não é provável alcançar o resultado desejado, mas afirma que a participação eleitoral cumpre o objetivo de defender e divulgar as propostas da legenda. Entre as bandeiras centrais, a educação ocupa papel de destaque: a pré-candidata defende aumento salarial para professores, respeito aos planos de carreira e melhoria das condições das escolas públicas. Ela aponta a diferença entre as condições das redes públicas e privadas de ensino, afirmando que resultados apresentados pelo governo não eliminam problemas como baixos salários, precariedade estrutural e dificuldades enfrentadas por professores e estudantes.

No campo econômico e social, Lourdes cita ainda o cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o salário mínimo necessário para sustentar uma família, reforçando a defesa por políticas públicas que ampliem o atendimento da educação e da saúde pelo setor público. Em relação à saúde, a pré-candidata defende a expansão do atendimento público e critica a dependência de serviços privados para consultas e exames que deveriam ser oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela relata dificuldades pessoais para realizar exames básicos e encontrar atendimento médico, além de apontar que moradores do interior precisam deslocar-se até Teresina para procedimentos ausentes em seus municípios.

Lourdes também critica o modelo de segurança centrado na repressão policial e afirma que as forças de segurança não protegem de maneira igual trabalhadores e camadas mais pobres da população. Para ela, a polícia deveria atuar para a proteção da classe trabalhadora e de comunidades rurais, com a organização popular e a autodefesa dos trabalhadores compondo elementos do programa do PCO.

No âmbito rural, a pré-candidata defende a reforma agrária, com a terra voltada aos trabalhadores que a produzem, em detrimento dos interesses de grandes proprietários e do agronegócio. Em pauta de direitos, Lourdes participa de movimentos que defendem as garantias às mulheres, associando autonomia feminina a salário, emprego, moradia, saúde e acesso aos serviços públicos. Também defende o direito de mulheres trans utilizarem banheiros femininos e manifestou-se contrária a medidas que, em sua avaliação, discriminem essa população.

Ao se apresentar como socialista, Lourdes ressalta que eleições, por si só, não seriam suficientes para transformar a estrutura econômica e política do país. O PCO defende um governo dos trabalhadores, sem a participação de grandes empresários, banqueiros e representantes do mercado financeiro, buscando uma ruptura com o capitalismo por meio da mobilização e organização popular.

Nas eleições presidenciais, a legenda informou que pretende apresentar candidatura própria no primeiro turno. Embora reconheça a história sindical de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Lourdes aponta que o PT mantém diferenças políticas e programáticas em relação ao PCO.

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