Correio Divinopolitano

Excursão para evento da Canção Nova em Divinópolis resulta em registro de boletim de ocorrência por suspeita de estelionato

Excursão para evento da Canção Nova em Divinópolis resulta em registro de boletim de ocorrência por suspeita de estelionato

Uma excursão planejada para levar fiéis ao PHN 2026, evento anual promovido pela Canção Nova, culminou em descontentamento e prejuízos financeiros para os participantes, que registraram um boletim de ocorrência. O organizador da viagem, identificado como Thiago Fernandes Gontijo, é um conhecido membro da Igreja São José Operário e frequenta um grupo de oração no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Ele divulgou a excursão por meio de grupos de WhatsApp, onde forneceu informações sobre transporte, hospedagem e programação do evento.

Após o cancelamento da excursão, cinco pessoas se dirigiram à Polícia Militar para registrar a ocorrência, alegando que os valores pagos não foram devolvidos conforme prometido. Em contato com o Divinews, Gontijo reconheceu ter cometido um erro e afirmou que está trabalhando para restituir os valores aos participantes. Entretanto, ao ser questionado sobre menções em áudios que indicavam problemas financeiros relacionados a jogos de azar e empréstimos, ele negou que esses fatores tenham influenciado a situação.

De acordo com os documentos analisados pela reportagem, a excursão tinha como destino o PHN, um dos maiores encontros da Renovação Carismática Católica do Brasil, realizado anualmente na sede da Canção Nova, em Cachoeira Paulista, São Paulo. As conversas coletadas mostram que a organização da viagem foi realizada ao longo de vários meses, com início em fevereiro. Os participantes recebiam informações sobre datas de pagamento, horários de saída e orientações para embarque, além de detalhes sobre a pousada e recomendações de vestuário devido ao clima frio.

As mensagens trocadas entre o organizador e os participantes indicam que a logística da viagem estava bem estruturada. Até poucos dias antes do embarque, os integrantes do grupo continuavam a receber informações sobre a viagem, incluindo a confirmação de horários e a localização do ônibus, que deveria sair de dois pontos distintos. Aparentemente, não havia indícios de que a excursão não aconteceria.

No entanto, o boletim de ocorrência revela que a viagem foi cancelada. As vítimas relataram à polícia que acreditavam que a participação no evento religioso estava garantida, mas após o cancelamento, em que Gontijo alegou um acidente grave envolvendo familiares, começaram a desconfiar da situação. Ao entrarem em contato com a empresa de transporte e a pousada, descobriram que não havia reservas confirmadas. O caso foi registrado como suspeita de estelionato e agora será investigado pela Polícia Civil. A identidade das vítimas está sendo preservada a pedido delas.

Após a repercussão do caso entre os participantes, Gontijo enviou uma mensagem ao grupo, admitindo que não conseguiu prosseguir com a viagem e pedindo desculpas. Ele solicitou um prazo até o dia 20 para realizar a devolução dos valores, pedindo compreensão para evitar prejuízos à sua família.

Antes da publicação desta matéria, o Divinews buscou um posicionamento do organizador, que reafirmou seu arrependimento e a intenção de restituir os valores. Quando questionado sobre a relação de problemas financeiros com vícios em jogos, Gontijo se mostrou relutante em discutir o assunto, alegando que é delicado e envolve riscos maiores.

O registro policial marca o início da investigação criminal, que agora ficará a cargo da Polícia Civil, que deverá reunir documentos, ouvir testemunhas e analisar movimentações financeiras para esclarecer as circunstâncias que levaram ao cancelamento da excursão e à falta de reembolso aos participantes.

Além disso, cinco vítimas compareceram à Polícia Civil nesta terça-feira (14) para relatar o caso à delegada de estelionato, Adriene Lopes, que instaurará um inquérito policial, conforme confirmado pelo Divinews.

Orientações para consumidores

Especialistas em Direito do Consumidor alertam que excursões e viagens organizadas por terceiros devem ser acompanhadas de contratos, comprovantes e reservas confirmadas. É recomendável que os pagamentos sejam realizados apenas mediante documentação formal e que qualquer irregularidade seja imediatamente reportada aos órgãos competentes. O Divinews continuará acompanhando o desdobramento do caso e publicará atualizações sobre a restituição dos valores, a instauração do inquérito policial ou qualquer manifestação das autoridades responsáveis.

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