O dólar comercial começou os negócios desta sexta-feira (6/11) em alta de aproximadamente 0,15%, negociado a R$ 5,494. A valorização ocorre em um cenário de maior aversão ao risco nos mercados internacionais, após a queda de ações de empresas relacionadas à inteligência artificial e à produção de semicondutores. No Brasil, os investidores também acompanham as incertezas em torno das medidas fiscais que poderão ser adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu quarto mandato.
Na sessão anterior, realizada na quinta-feira (5/11), a moeda norte-americana havia encerrado o pregão com ganho de 0,67%, cotada a R$ 5,48. No mesmo dia, o Ibovespa terminou em baixa de 0,82%, refletindo a piora do ambiente para ativos considerados mais arriscados.
A movimentação do câmbio nesta sexta-feira está relacionada principalmente ao comportamento das bolsas no exterior. Em Nova York, os mercados acionários registraram queda em meio a uma onda de vendas de papéis de companhias ligadas ao setor de inteligência artificial e à indústria de semicondutores. A redução das posições nesses ativos aumentou a cautela entre os investidores e contribuiu para a busca por segurança, favorecendo o dólar diante do real.
As empresas de semicondutores estão entre as mais afetadas pelo movimento porque seus produtos são fundamentais para o desenvolvimento e o funcionamento de tecnologias de inteligência artificial. Por isso, mudanças nas expectativas sobre o futuro do setor acabam atingindo diferentes companhias relacionadas à cadeia tecnológica. A baixa desses papéis em Nova York ampliou a pressão sobre os mercados globais no início da sessão brasileira.
Possível aumento da regulação eleva preocupação com o setor de inteligência artificial
Entre os fatores que alimentam a cautela está o receio de que empresas de tecnologia e inteligência artificial passem a enfrentar regras mais rígidas. Essa possibilidade ganhou força após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, de acordo com o contexto apresentado para o comportamento dos mercados.
A avaliação dos investidores é que uma eventual ampliação da regulação pode alterar as perspectivas de crescimento e de resultados das companhias do segmento. Diante dessa possibilidade, parte do mercado reduziu a exposição às ações dessas empresas, movimento que também atingiu os fabricantes de semicondutores e aumentou a percepção de risco fora dos Estados Unidos.
O impacto não ficou restrito às companhias diretamente ligadas à inteligência artificial. Como esses papéis têm peso relevante nas expectativas dos investidores sobre o setor de tecnologia, a onda de vendas influenciou o desempenho das bolsas e contribuiu para a valorização da moeda norte-americana em diversos mercados, incluindo o brasileiro.
Mercado brasileiro monitora definições para a política fiscal
Além das condições externas, o câmbio acompanha as indefinições domésticas relacionadas à política econômica do governo Lula. A principal preocupação está nas medidas que serão apresentadas para a área fiscal, considerada determinante para a avaliação da trajetória das contas públicas e para a formação das expectativas dos agentes econômicos.
O presidente tem afirmado que o Brasil precisa manter responsabilidade fiscal e uma economia “arrumada”. Até o momento, no entanto, o governo não detalhou quais ações pretende implementar nesse campo. A falta de informações mais precisas mantém os investidores atentos às próximas sinalizações da administração federal.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também tem defendido a necessidade de ajustes fiscais. Em suas declarações, ele mencionou ainda a realização de cortes em “benefícios de privilégios”. Embora as falas reforcem o debate sobre a revisão das despesas públicas, ainda não foram esclarecidos quais benefícios seriam atingidos, nem o formato e o cronograma das medidas.
Assim, a abertura do dólar nesta sexta-feira resulta da combinação entre a pressão internacional sobre ações de tecnologia e as dúvidas do mercado brasileiro quanto aos próximos passos na área fiscal. O desempenho da moeda ao longo do dia dependerá da evolução do ambiente externo e das novas indicações sobre a política econômica do governo.


