Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) recorreram nesta quinta-feira (22/1) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tratar de questões relacionadas à quebra de sigilo, em mais um capítulo da disputa acirrada que marca o pleito. A movimentação ocorre em um momento crucial, a apenas três dias da votação, e reforça a intensidade do debate sobre transparência e investigação de possíveis irregularidades envolvendo os candidatos.
A campanha do ex-presidente Lula formalizou junto ao TSE a autorização para a análise das exigências feitas por Flávio Bolsonaro quanto à abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos. Por sua vez, a equipe de Flávio afirmou que irá avaliar toda a documentação apresentada antes de definir sua resposta definitiva, indicando uma postura de cautela e análise detalhada do material recebido.
Do lado do PT, participaram do procedimento no tribunal o coordenador da campanha e líder do partido no Senado, Camilo Santana (PT-CE), além de ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e do Empreendedorismo, Paulo Pereira. Também estiveram presentes o presidente do PT, Edinho Silva, e a deputada federal Camila Jara (PT-MS). Já a campanha de Flávio Bolsonaro foi representada pelo ex-procurador da Lava Jato e senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol (PL), que foi designado para cuidar do tema na Corte, acompanhado pela jurista Maria Claudia Bucchianeri.
No documento protocolado na Justiça Eleitoral, Flávio condicionou a entrega de seus dados à realização de contrapartidas que visam investigar tanto as gestões passadas do PT quanto o atual mandato presidencial. Entre as exigências, estão a divulgação de gastos com cartões corporativos da Presidência, informações sobre a agenda da primeira-dama Janja Lula da Silva e a abertura do sigilo do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de outros pedidos. A campanha de Lula, por sua vez, afirmou ter entregue ao tribunal os documentos com as demandas apresentadas pelo adversário.
A controvérsia sobre os sigilos teve início no último domingo (18/10), durante debate presidencial na TV Band, quando Lula lançou o desafio a Flávio Bolsonaro após ouvir acusações relacionadas a corrupção. O petista propôs que ambos os candidatos disponibilizassem seus dados para o público por meio da plataforma DivulgaCandContas ou outro portal de acesso público, como forma de promover maior transparência na disputa.
Na sequência, em 20 de outubro, Lula protocolou na Corte Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal (STF) um documento autorizando a abertura de seus sigilos e de familiares, caso o adversário também fizesse o mesmo. No dia seguinte, Flávio Bolsonaro anunciou que aceitaria a proposta, porém, com uma série de condições que deveriam ser atendidas antes da liberação dos dados. Entre as solicitações feitas pelo senador estão a divulgação de informações sobre gastos com cartões corporativos da Presidência, detalhes da agenda da primeira-dama Janja Lula da Silva e a abertura do sigilo do ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola, além de outros pedidos relacionados à transparência.
A campanha de Lula afirmou que aceitou todas as condições apresentadas por Flávio e desafiou o adversário a apresentar os dados solicitados nesta quinta-feira, consolidando a disputa em torno da questão dos sigilos como uma das últimas batalhas antes do segundo turno, que definirá o próximo presidente do Brasil.


