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Campanha de Flávio Bolsonaro utiliza declaração de Lula sobre exames de saúde para amenizar polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida

Campanha de Flávio Bolsonaro utiliza declaração de Lula sobre exames de saúde para amenizar polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República intensificou uma estratégia de comunicação na reta final do primeiro turno, ao explorar uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre exames preventivos de saúde masculina, com o objetivo de desviar o foco da polêmica recente envolvendo Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A iniciativa foi adotada após o cenário político brasileiro se concentrar em publicações que associaram Flávio a uma suposta tentativa de retirar o título de Padroeira do Brasil da santa, alegação que o senador nega categoricamente, classificando como fake news.

A declaração de Lula foi feita na noite de segunda-feira, 29 de setembro, durante uma agenda em Belém (PA), na qual o presidente abordou a importância do exame de toque prostático. Ao defender a prevenção ao câncer de próstata, Lula afirmou que os homens seriam “covardes” por resistir ao exame, comparando essa resistência com a rotina de exames ginecológicos realizados por mulheres desde a infância. Segundo Lula, “o homem é cheio de trejeitos” e “não gosta de fazer teste de próstata”, destacando que, quando diagnosticado com câncer, o procedimento de toque é inevitável.

A fala do presidente foi rapidamente utilizada pelos aliados de Flávio Bolsonaro em redes sociais, numa tentativa de desviar a atenção das controvérsias envolvendo a santa. O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a declaração de Lula seria um insulto às mulheres, por demonstrar “desprezo” pelo seu universo, enquanto a ex-presidente da Caixa Econômica Federal sob o governo Bolsonaro, Daniella Marques, classificou o comentário como “abjeto”. Outros apoiadores, como o candidato ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), criticaram duramente a fala do presidente, com Nikolas chamando-a de “errada e nojenta” e questionando a rotina de exames ginecológicos das meninas desde a infância.

Em resposta às críticas, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, onde afirmou que suas filhas, de 12 e 14 anos, não estão acostumadas a tomar toques desde pequenas. “Essa sua fala é preconceituosa, machista e de quem não entende nada. Mulher tem que ser protegida e criança, cuidada. Você não tem a menor condição de continuar sendo presidente da República”, declarou.

Na noite seguinte, em um comício na Bahia, Lula se defendeu, explicando que sua intenção foi estabelecer uma comparação entre a resistência dos homens a exames de próstata e a disposição das mulheres para realizar exames ginecológicos desde jovens. Durante a fala, ele também criticou Nikolas Ferreira, ao afirmar que o parlamentar “ousou inventar uma coisa” sobre ele, e usou uma expressão coloquial do Paraná para se referir ao deputado, chamando-o de “piá de bosta”. Mais tarde, Nikolas respondeu às declarações, nas redes sociais, afirmando que “canalha é quem não assume o que falou”.

A controvérsia ocorre em um momento de desgaste político de Flávio Bolsonaro, que enfrenta questionamentos nas redes sociais relacionados a uma publicação que o associava a um suposto projeto para retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A polêmica resgatou um vídeo de agosto, no qual o senador declarou que decretaria que “o Brasil será de Jesus Cristo”, além de um projeto de lei de 2007 do então deputado Victório Galli (MDB-MT), que sugeria substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos” ao tratar do feriado de 12 de outubro. Essas ações alimentaram o debate sobre a relação de Flávio com a santa e contribuíram para o esforço de sua campanha em minimizar os efeitos da controvérsia.

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