O médico infectologista e hepatologista Thor Dantas (PSB) anunciou sua pré-candidatura ao governo do Acre nas eleições de 2026, apresentando-se como uma alternativa de centro-esquerda aos grupos que ocuparam o poder estadual nos últimos anos. Em linha com uma campanha centrada em gestão pública, ele afirma que o confronto deve privilegiar as questões locais, evitando a polarização nacional entre esquerda e direita. Entre as prioridades, destacam-se saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Natural de Rio Branco, Dantas é professor da Universidade Federal do Acre (UFAC), atuando nas áreas de infectologia e hepatologia, além de pesquisador com doutorado. Sua atuação envolve pesquisas sobre hepatites virais, especialmente hepatite Delta, uma enfermidade com forte incidência na região amazônica. O médico relata ter retornado ao Acre em 1999, depois de concluir parte de sua formação fora do estado, e desde então trabalhar em diferentes setores da rede pública de saúde.
No decorrer de sua trajetória, ele ocupou cargos importantes na área hospitalar e na gestão pública: foi diretor do Pronto-Socorro de Rio Branco, presidente da Fundação Hospitalar do Acre e secretário-adjunto estadual de Saúde. Também participou da implantação do curso de Medicina e da residência médica no estado. Dantas diz ter exercido a medicina no Acre por 28 anos e participou da equipe responsável pelo programa de transplante de fígado. Além disso, atuou como médico militar no Vale do Juruá e chegou a exercer a função de oficial do Exército, alcançando o posto de tenente na reserva.
A sua visibilidade pública ganhou impulso durante a pandemia de Covid-19, período em que atuou no atendimento a pacientes e participou de discussões sobre as medidas de enfrentamento da doença no Acre. O pré-candidato sustenta que a experiência evidenciou que os problemas da saúde pública dependem não apenas da atuação de profissionais, mas também de decisões políticas, financiamento e capacidade de gestão. A crise sanitária, segundo ele, foi uma das razões que o levaram a ingressar na política eleitoral.
Na esfera pessoal, Thor Dantas pertence a uma família com presença histórica na política acreana. É neto de Dantinhas, ex-governador do Acre, e sobrinho de Mário Maia, que atuou como senador e deputado federal. É filho de Concita Maia, militante ligada à defesa dos direitos das mulheres. Sua estreia eleitoral ocorreu em 2022, quando concorreu a deputado federal pelo PSB. Naquele pleito, não conseguiu uma das oito vagas destinadas ao Acre na Câmara dos Deputados, terminando na 42ª posição. Apesar do resultado, Dantas permaneceu no PSB com o objetivo de disputar o governo estadual, defendendo uma alternativa baseada em critérios técnicos, planejamento e responsabilidade pública.
A aliança que o sustenta reúne partidos de esquerda e centro-esquerda e é apresentada pelo candidato como uma frente ampla. Segundo ele, o grupo está aberto ao diálogo com setores de centro e com eleitores conservadores que não se reconhecem em outros candidatos. Embora reconheça o legado da antiga Frente Popular do Acre, Dantas afirma que não disputará a eleição apenas como porta-voz dessas administrações passadas. A candidatura conta com a participação direta de Jorge Viana, que também atua na articulação da chapa e deve disputar uma vaga no Senado pela mesma aliança. Para o pré-candidato, as candidaturas podem se fortalecer mutuamente, caso avancem juntas.
Defendendo uma relação institucional de diálogo com o governo federal independentemente de quem vencer a eleição presidencial, Dantas argumenta que o Acre depende de recursos da União e não pode permitir que diferenças ideológicas atrapalhem investimentos no estado.
Prioridades e propostas na saúde
A saúde é o principal eixo da pré-candidatura de Dantas. Ele defende ampliar o número de leitos hospitalares, construir uma nova unidade de saúde, contratar especialistas e reduzir as filas para cirurgias e consultas. Afirmou ainda que muitos profissionais formados no estado deixam o Acre por causa da falta de concursos, salários não competitivos e limitações de carreira. Por isso, defende a revisão do plano de cargos, carreiras e remuneração dos servidores da saúde, bem como investir na formação de especialistas, criar uma residência em urgência e emergência e ampliar a capacitação das equipes do Pronto-Socorro de Rio Branco.
Outro ponto destacado é a integração entre o governo estadual e as prefeituras para fortalecer a atenção básica, com atendimento dedicado a hipertensão, diabetes, pré-natal e saúde infantil. Na visão de Dantas, a rede pública precisa assegurar medicamentos básicos, como antibióticos, analgésicos e remédios para febre, enfatizando que nem todos os problemas exigem tecnologia cara, mas planejamento, compras regulares, organização dos serviços e integração entre estado e municípios. O candidato afirma que o tratamento adequado de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, bem como hepatites, pode reduzir internações e a necessidade de procedimentos especializados de alta complexidade.
Proposta econômica e perspectivas para o desenvolvimento
Na área econômica, Thor Dantas defende diversificar as atividades produtivas do Acre. Propõe investir no agronegócio, na agricultura familiar, no cooperativismo, no café, no cacau, no agroextrativismo e na criação de animais. Também defende a ampliação da industrialização de produtos locais—castanha, cupuaçu, madeira, óleos, carne e pescado—para que o estado deixe de exportar apenas matérias-primas. Além disso, o pré-candidato sugere melhorar a infraestrutura de transporte, com a melhoria da ligação rodoviária entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul e a integração comercial com o Peru e países asiáticos por meio de uma saída para o Oceano Pacífico.
Segundo Dantas, o governo estadual deve atuar como articulador entre empresários, produtores, municípios, bancada federal e instituições financeiras, criando linhas de crédito e condições para novos investimentos. Embora se situe no campo progressista, ele afirma não ver resistência ao agronegócio. A visão do programa inclui a participação da pecuária e de grandes cadeias produtivas, desde que coexistam com produção familiar, extrativismo e preservação ambiental, dentro de uma economia diversificada.
O pré-candidato argumenta que projetos iniciados por governos anteriores devem ser mantidos quando eficientes, independentemente da sigla do poder. Observa que, embora se identifique como progressista e democrata, busca afastar a candidatura de radicalismos. Segundo ele, o acreano é conservador em costumes e merece ser respeitado, ao mesmo tempo em que defende políticas públicas associadas ao campo progressista, como saúde e educação públicas, direitos trabalhistas e programas de transferência de renda. Por fim, reconhece o papel do mercado na geração de riqueza, mas sustenta que o Estado precisa atuar como indutor do desenvolvimento, especialmente em uma economia pequena e dependente de investimentos públicos como a do Acre.


