Antônio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan, formalizou a sua pré-candidatura ao Governo do Amapá pelo PSD para as eleições de 2026. Natural de Costa Rica, onde seus pais estudavam na época, ele possui nacionalidade brasileira e cresceu no estado. Médico de formação, Furlan construiu a maior parte de sua trajetória pública na Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP), onde iniciou a atividade parlamentar em 2014 ao ser eleito deputado estadual.
No parlamento estadual, Furlan cumpriu mandatos consecutivos entre 2015 e 2020. Durante esse período, enfatizou pautas ligadas à saúde, ao desenvolvimento econômico e ao fortalecimento dos serviços públicos, conciliando parte do trabalho legislativo com o exercício da medicina na prática profissional. Em 2020, o político ampliou o quadro de atuação ao disputar a Prefeitura de Macapá pelo Cidadania, enfrentando Josiel Alcolumbre (DEM), irmão do então senador Davi Alcolumbre (União Brasil).
O pleito municipal de 2020 ficou marcado pelo apagão energético que atingiu a capital amapaense em novembro daquele ano, o que levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a adiar a eleição na cidade. Mesmo com as dificuldades, Furlan chegou ao segundo turno e acabou vencendo a disputa, tomando posse em janeiro de 2021. Em 2024, ele buscou a reeleição à frente da Prefeitura de Macapá e foi o candidato com o maior índice de votos entre todos os prefeitos das capitais brasileiras no pleito: obteve 85,08% dos votos válidos no primeiro turno, o que inviabilizou a necessidade de segundo turno.
O cenário político, porém, ganhou contornos com ações federais. Em 4 de março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Paroxismo, que apura indícios de fraude em licitação vinculada à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, estimada em cerca de 70 milhões de reais. Em decisão tátil do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), Antônio Furlan e o vice-prefeito de Macapá, Mário Neto (Podemos), foram afastados de seus cargos. Furlan negou quaisquer irregularidades.
No dia seguinte, 5 de março, Furlan comunicou oficialmente a renúncia definitiva à Prefeitura de Macapá. A medida antecipou em um mês o prazo previsto pela legislação eleitoral, que exige que chefes do Executivo deixem os cargos seis meses antes do pleito para disputar governos estaduais. Segundo a defesa, a estratégia buscava viabilizar seu projeto político e diluir os efeitos práticos do afastamento pela via judicial. A investigação continua em trâmite no STF, e, até o momento, não houve denúncia criminal formalizada contra ele.
Com o afastamento do cargo municipal, Dr. Furlan anunciou a sua pré-candidatuta ao Governo do Amapá pelo PSD. A convenção que oficializou a candidatura ocorreu em 20 de julho de 2026, apresentando Luciana Gurgel (PL) como candidata a vice-governadora, ex-deputada estadual com atuação relevante no cenário político local. A chapa posiciona Furlan como principal nome de oposição ao atual governador Clécio Luís (União Brasil), que busca a reeleição com o apoio do grupo ligado a Davi Alcolumbre.
Ainda no aspecto eleitoral, duas pesquisas divulgadas no mês de julho de 2026 reforçam o favoritismo de Furlan. A AtlasIntel colocou o pré-candidato com 65,7% das intenções de voto em cenários estimulados no primeiro turno, frente a 31% de Clécio Luís. O levantamento mais recente, divulgado pelo Paraná Pesquisas em 21 de julho de 2026, repetiu o panorama favorável a Furlan, com 65,5% contra 26,3% do governador. A pesquisa ouviu 1.100 eleitores em 14 municípios do Amapá entre os dias 18 e 20 de julho, possui margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95%, e está registrada no TSE sob o código AP-02651/2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.


