Correio Divinopolitano

Após pedido de Lula, Marcelo Ramos desiste de disputar o Senado pelo Amazonas; Braga assume candidatura única da centro-esquerda

Após pedido de Lula, Marcelo Ramos desiste de disputar o Senado pelo Amazonas; Braga assume candidatura única da centro-esquerda

O ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados Marcelo Ramos (PT-AM) anunciou nesta sexta-feira (24/7) que não disputará o Senado nesta eleição, atendendo a um pedido direto do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A desistência abre espaço para que o senador Eduardo Braga (MDB-AM), líder do MDB no Senado, seja o candidato único da centro-esquerda na disputa ao governo do Amazonas, consolidando o cenário político local em torno da aliança entre MDB, PT e, também, o PSD, que acompanha o governo com o nome de Omar Aziz ao governo estadual.

A decisão de Ramos chega após contato direto com o Planalto. Lula teria ligado para o ex-parlamentar na quinta-feira (23/7) para solicitar que o PT não apresentasse candidatura ao Senado no Amazonas. Embora o nome de Ramos houvesse sido apoiado pelo diretório estadual do PT, a manobra interna encontrou resistência dentro do MDB. A resistência já havia sido apontada pelo Metrópoles em maio, quando reportou dificuldades para consolidar o apoio ao titular do nome no Senado. O próprio Lula havia visitado o Amazonas naquele mês na tentativa de ajustar o cenário, sem, contudo, obter o desfecho desejado.

Reações internas e motivações da decisão

Segundo apurações, Braga procurou Lula e o presidente do PT, Edinho Silva, para contornar a decisão do diretório estadual e convencer Ramos a desistir da candidatura. Conforme relatos, o líder do MDB afirmou aos petistas que a pré-candidatura de Ramos poderia dividir votos da centro-esquerda, abrindo espaço para candidaturas da oposição — como as do deputado federal Alberto Neto (PL-AM) e do ex-governador Wilson Lima (União Brasil). Essa percepção de dispersão de votos motivou a estratégia de unir o centro-esquerda em torno de Braga, na avaliação de pessoas próximas a Braga e ao MDB.

Declaração de Marcelo Ramos e composições políticas

Em nota, Marcelo Ramos afirmou que a desistência atende a um pedido direto do presidente da República e que, mesmo assim, continua defendendo que o PT deveria compor a chapa majoritária. Ramos mencionou que o conjunto da chapa terá o senador Omar Aziz (PSD) como candidato ao governo, sinalizando que, apesar de abrir mão do Senado, vê continuidade da aliança envolvendo o PSD no pleito que aponta para o governo estadual. O ex-deputado federal acrescentou que sempre lutou pela reelection do presidente Lula, destacando que a decisão também representa um reconhecimento da prioridade dada à reeleição do chefe do Executivo.

Ramos destacou ainda que enfrentou a pré-campanha com coragem e firmeza, sempre deixando claro que a reeleição de Lula era prioridade para o seu campo político. Mesmo assim, ele afirmou não poder “soltar a mão e confrontar o presidente, que é o nosso líder” — expressão que, na prática, reforça a leitura de que a decisão foi tomada para manter o alinhamento com o governo federal e evitar rupturas internas que pudessem prejudicar a coligação majoritária no estado.

Trajetória política de Marcelo Ramos e desfechos recentes

Além de atuar como deputado federal, Marcelo Ramos exerceu a função de vice-presidente da Câmara durante o primeiro mandato de Arthur Lira (PP-AL). Em 2024, Ramos também participou da disputa pela prefeitura de Manaus, a pedido de Lula, mas terminou a campanha em quinto lugar. O episódio piloto de 2024, com a participação de Ramos na corrida municipal, é citado como parte do histórico recente que compõe a relação entre o PT e o campo progressista no Amazonas, bem como das estratégias de composição da base aliada.

Com a retirada de Ramos, a disputa ao Senado pelo Amazonas passa a ter, no âmbito da centro-esquerda, uma configuração mais definida, com Braga consolidando o papel de cabeça de chapa. A movimentação reconfigura o mapa de alianças para as eleições deste ano no estado, ressaltando a influência do palácio do Planalto no processo de composição das candidaturas majoritárias, bem como a postura de figuras centrais da base aliada na região.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *