O cenário político mineiro vive novo momento de definições neste fim de julho, com a convenção do Republicanos em Minas, marcada para este sábado, na Assembleia Legislativa, avaliando a possibilidade de confirmar o senador Cleitinho Azevedo como candidato ao governo do estado. A eleição de Minas Gerais é tematizada em meio a um contexto pessoal para Cleitinho: no mesmo dia está agendada a missa de sétimo dia do irmão dele, Matheus Augusto Azevedo, de 30 anos, falecido por complicações da leucemia. A presença de Cleitinho na convenção ainda não foi confirmada pelo próprio senador, que tem mantido postura ambígua acerca da sua participação.
Os sinais vindos de Cleitinho permanecem instáveis. Interlocutores próximos ao parlamentar sugerem que recuar neste momento seria difícil, dada a posição dele nas pesquisas. No entanto, há outras leituras entre aliados, que indicam incerteza quanto ao desfecho da decisão. O Republicanos tem interesse em fechar uma aliança com o PL para a disputa estadual, com a indicação do vice na chapa, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). Em contrapartida, ficaria reservada ao PL a vaga ao Senado, com a perspectiva de Domingos Sávio (PL) ocupar a cadeira, se Cleitinho firmar acordo com a legenda.
O ambiente político em Minas esteve bastante movimentado ao longo desta quinta-feira, 23 de julho. Marcelo Aro, do PP, avançou na avaliação de que Cleitinho poderia não disputar, abrindo espaço para negociações que buscariam unificar o campo da direita. As tratativas visariam levar a Federação União Progressista e o Republicanos à composição da chapa. Entre as propostas discutidas, houve a sugestão de deslocar Gleidson Azevedo — irmão gêmeo de Cleitinho e pré-candidato a deputado federal — para a segunda vaga do Senado, caso Cleitinho ciadasse a candidatura. No entanto, o PL entendeu que essa reformulação enfraqueceria as chances de Domingos Sávio na corrida ao Senado.
Na noite de quinta-feira, 23, houve sinais de resistência a essas propostas dentro do próprio Congresso. A direção nacional do PL sinalizou a hipótese de lançar Flávio Roscoe como o representante do partido, caso Cleitinho não siga na disputa. Roscoe recebe o respaldo de dois nomes de peso: o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, e o próprio Flávio Bolsonaro. A convenção do PL em Minas está programada para ocorrer na segunda-feira, 27 de julho.
Diante de um cenário de indefinições que, segundo analistas, é uma das mais incertas desde o início do processo pós-redemocratização, a conjuntura mineira reflete a velha máxima atribuída a Magalhães Pinto, que “política é como nuvem” — uma ideia que, neste momento, parece refletir com precisão a volatilidade das alianças e das candidaturas na região. A leitura das articulações entre Republicanos e PL, bem como a possível inclusão de nomes como Falcão ou Roscoe, pode redefinir não apenas o governo de Minas, mas o equilíbrio entre as legendas na próxima etapa eleitoral.


