Correio Divinopolitano

PF investiga evasão de divisas e crimes financeiros em financiamento do filme Dark Horse, envolvendo Vorcaro e aliados de Bolsonaro

PF investiga evasão de divisas e crimes financeiros em financiamento do filme Dark Horse, envolvendo Vorcaro e aliados de Bolsonaro

Após o STF autorizar inquérito para apurar financiamentos ao filme “Dark Horse”, a Polícia Federal reúne elementos para investigar evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. A apuração, segundo apurou o analista em segurança pública Elijonas Maia, da CNN, envolve a análise de notas fiscais, quebras de sigilos bancários e depoimentos de pessoas ligadas ao caso, incluindo Daniel Vorcaro. O filme, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu aporte de 61 milhões de reais de um ex-banqueiro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Flávio nega irregularidades, sustentando que o financiamento foi um acordo privado firmado em um momento em que ainda não pairavam suspeitas sobre o Banco Master.

A insistência da PF é compreender a totalidade do aporte financeiro e a origem dos recursos, sobretudo porque a investigação se insere no contexto da teia de fraudes associada ao Banco Master e de suas conexões. Os investigadores buscam confirmar se o montante foi utilizado integralmente para financiar o filme ou se parte dele teve destinação diversa, o que envolve o rastreamento de fluxos e a identificação de possíveis operações correlatas.

Paralelamente, a investigação aponta para a hipótese de que parte do dinheiro poderia ter sido destinada a custear despesas de Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado. Ele, por sua vez, nega ter recebido qualquer valor ligado a Vorcaro. O inquérito também levanta a atuação do publicitário Thiago Miranda, já investigado por coordenar ataques ao Banco Central a mando do ex-banqueiro. Miranda admitiu ter intermediado a negociação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. O empresário teve o passaporte apreendido pela PF há cerca de duas semanas, o que indica o aperto das autoridades sobre o caso.

Em resposta às investigações, a defesa de Thiago Miranda negou a prática de qualquer ilegalidade e destacou que a existência de uma investigação não pode servir como justificativa para a presunção de culpa. A linha de investigação da PF permanece centrada na relação entre o financiamento, a origem dos recursos e o possível desvio de valores, bem como nas ligações com o suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master e suas conexões. O STF continuaria a acompanhar o andamento, enquanto a PF detalha os próximos passos, incluindo novas quebras de sigilo, coleta de depoimentos adicionais e a checagem de documentos contábeis ligados ao projeto cinematográfico.

O desdobramento das apurações dependerá do material que as autoridades federais ainda irão requisitar e dos depoimentos que deverão ser colhidos nos próximos dias. O objetivo, conforme o foco da investigação, é esclarecer quais partes do montante foram de fato usadas para o financiamento do longa, quais estruturas de comando econômico estão por trás das operações financeiras e quais responsabilidades legais, se houver, poderão emergir no âmbito das possíveis irregularidades identificadas.

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