Pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão, identificaram um composto antioxidante capaz de preservar a capacidade de reparo dos músculos durante o envelhecimento. Em testes de laboratório e em camundongos, a substância protegeu o fator de crescimento de hepatócitos (HGF), proteína essencial para ativar as células satélite — consideradas as células-tronco dos músculos — e ainda aumentou sua eficiência no processo de regeneração muscular.
Com o avanço da idade, os músculos tendem a reduzir força e volume, além de acumular gordura e tecido cicatricial. Esse conjunto de alterações também compromete a recuperação após lesões e pode contribuir para a perda de mobilidade. A pesquisa afirma que a descoberta ajuda a compreender por que esse quadro ocorre e aponta uma possível estratégia para preservar a saúde muscular ao longo do envelhecimento.
O estudo, publicado nesta sexta-feira (24/7) na revista Scientific Reports, concentrou-se na proteína HGF, responsável por acionar as chamadas células satélite, que atuam como reservatório de células-tronco no tecido muscular. Em condições de lesão ou esforço, o HGF envia sinais para que essas células saiam do estado de repouso e iniciem o reparo das fibras. O desafio é que, com o envelhecimento, o HGF pode sofrer alterações químicas que reduzem sua capacidade de cumprir essa função, conforme explicou o coordenador da pesquisa, Ryuichi Tatsumi, em comunicado.
“O HGF não desaparece necessariamente com o envelhecimento. Na verdade, ele pode sofrer alterações químicas após ser produzido”, afirmou Tatsumi.
Para buscar uma forma de contornar esse entrave, a equipe avaliou dois compostos com ação antioxidante. Apenas um deles demonstrou efeito desejado: o trissulfeto de ácido lipoico, designado LASSS. O LASSS mostrou não apenas protegê-lo das alterações químicas associadas ao envelhecimento, mas também aumentar sua capacidade de se ligar às células responsáveis pela reparação muscular.
Os autores relatam que a proteína passou a funcionar de maneira mais eficiente e apresentou maior resistência a danos que costumam comprometer sua atividade. “Isso superou nossas expectativas. Sabíamos que os trissulfetos tinham diversas funções biológicas, mas nunca imaginamos que a simples combinação de HGF com LASSS produziria um efeito tão impressionante”, comentou Tatsumi.
Progresso observado e interpretação dos resultados
Os pesquisadores sugerem que o composto provoca pequenas alterações na estrutura da proteína, tornando-a mais resistente e fortalecendo sua atuação no processo de regeneração muscular. O objetivo era verificar se esse benefício poderia se manter em um organismo vivo, além das condições controladas de laboratório. Para isso, realizaram testes em camundongos com atrofia muscular induzida pela condição experimental. Os animais tratados com LASSS apresentaram menor dano ao HGF do que os não tratados, indicando que a substância manteve seu efeito protetor mesmo fora do ambiente de bancada.
Limitações e próximos passos
Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que os experimentos ocorreram apenas em modelos laboratoriais e em animais. Ainda são necessários novos estudos, incluindo avaliações em animais mais velhos e, futuramente, em humanos, para confirmar a eficácia e, principalmente, a segurança do LASSS como intervenção clínica.
Potencial aplicado e desdobramentos futuros
Caso as evidências sejam corroboradas por pesquisas adicionais, o composto poderia ser avaliado como uma alternativa para preservar a capacidade de regeneração muscular durante o envelhecimento, bem como em situações que favorecem a perda de massa muscular — como períodos prolongados de imobilização ou recuperação de lesões. A confirmação em etapas posteriores seria essencial para definir dosagens, efeitos adversos e critérios de uso em diferentes populações. A pesquisa ressalta a importância de entender melhor como alterações químicas no HGF influenciam a comunicação com as células satélite e como intervenções antioxidantes podem modular esse processo de forma segura e eficaz.


