Os Estados Unidos implementaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, a partir de sexta-feira, 24 de julho. Essa alíquota se soma a uma sobretaxa de 25% que já havia sido estabelecida na semana anterior, resultando em uma tributação total de até 37,5% para uma ampla gama de exportações brasileiras. Com essa medida, o Brasil se posiciona como um dos países mais afetados pelas tarifas norte-americanas, superado apenas pela China.
A decisão é parte de uma investigação conduzida pelo governo dos EUA, fundamentada na Seção 301 do Trade Act de 1974, que acusa o Brasil de não adotar medidas adequadas para combater o trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas. Além disso, uma outra investigação sob a mesma legislação investiga práticas comerciais desleais e questões relacionadas ao desmatamento. A primeira ação resultou na imposição da tarifa de 25%, que entrou em vigor na quarta-feira, 22 de julho.
De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a nova tarifa de 12,5% afetará aproximadamente 3 mil produtos brasileiros, totalizando cerca de US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para os Estados Unidos. Desses, cerca de 85,3% das vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, estarão sujeitas à soma das duas sobretaxas. Assim, todos os produtos brasileiros que não estão nas listas de exceção do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) estão sujeitos a essas tarifas.
O etanol brasileiro é um dos principais produtos atingidos pelas novas tarifas. Documentos da investigação da Seção 301 indicam que o acesso ao mercado de etanol nos EUA foi um dos motivos que levaram à abertura da apuração contra o Brasil em julho de 2025. O etanol já estava sujeito à tarifa adicional de 25% e agora enfrenta a nova sobretaxa de 12,5%, totalizando 37,5%. Durante uma consulta pública, produtores norte-americanos alegaram que as tarifas e políticas brasileiras reduziram a competitividade do etanol dos EUA e defenderam a sobretaxa como compensação.
Por outro lado, alguns participantes da consulta advertiram que a tributação acumulada de 37,5% sobre o etanol brasileiro é desproporcional em relação às tarifas que o Brasil aplica ao etanol norte-americano. Eles alertaram que essa medida pode reduzir o comércio bilateral e aumentar os custos para importadores e consumidores nos Estados Unidos.
As decisões mantêm listas de exceção quase idênticas, isentando produtos considerados estratégicos para a economia americana ou que já estão sujeitos a outras medidas comerciais. Entre os itens isentos, estão produtos essenciais para a indústria.
Os efeitos negativos das tarifas já estão sendo observados na balança comercial brasileira. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Desde março de 2025, as vendas brasileiras para o mercado norte-americano caíram 13%, o que representa uma perda de US$ 2,6 bilhões. As maiores reduções foram observadas em estados como Acre (-62,8%), Tocantins (-52,1%), Rondônia (-49,1%) e Amapá (-41,2%).
A queda nas exportações foi impulsionada, principalmente, pela redução de 8,7% nas exportações de bens industriais, com destaque para produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.
Em resposta ao aumento das tarifas, o Brasil considera acionar a Lei da Reciprocidade, que permite ao país retaliar ou aplicar tarifas equivalentes contra nações que impõem barreiras comerciais unilaterais. Após o anúncio da nova sobretaxa, o governo brasileiro, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que iniciará os trâmites para acionar a reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Palácio do Planalto acusou os Estados Unidos de manipular questões relacionadas ao trabalho forçado para justificar sua política comercial protecionista.


