O deputado federal Lindbergh Farias, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de Janeiro e vice-líder do governo na Câmara, protocolou uma notícia-crime junto à Polícia Federal (PF) solicitando a investigação de transações financeiras que envolvem o senador Flávio Bolsonaro, do PL, seu escritório de advocacia e empresas associadas ao empresário Daniel Vorcaro. A medida é motivada por informações que surgiram em reportagens, especialmente uma publicada pelo portal Metrópoles.
No documento apresentado à PF, Farias destaca a necessidade de apurar a emissão de três notas fiscais, cada uma no valor de R$ 500 mil, totalizando R$ 1,5 milhão. Essas notas foram emitidas por empresas ligadas a Flávio Bolsonaro. Segundo a denúncia, duas das notas foram inicialmente emitidas para a Copenhagen Consultoria, mas acabaram sendo canceladas. Posteriormente, uma terceira nota foi emitida para a empresa Contábil Correa, também conhecida como BR Global. Todas as empresas mencionadas são apontadas como parte da rede empresarial que envolve Daniel Vorcaro.
A petição do deputado Farias inclui informações sobre o contador Rogério Lourenço Novo, que é mencionado como um elo entre as duas empresas citadas. O contador já foi alvo de investigações pela PF, suspeito de estar envolvido em um esquema de emissão de notas fiscais falsas entre os anos de 2013 e 2015. A conexão com um caso anterior levanta questões sobre a legalidade das transações em questão.
O deputado solicita que a investigação examine se os serviços jurídicos alegadamente prestados correspondem de fato a serviços efetivamente realizados. Além disso, a petição questiona se a emissão e o cancelamento das notas fiscais tiveram como objetivo conferir uma aparência de legalidade à movimentação financeira. A investigação deve também esclarecer qual foi a função real desempenhada pelo contador Rogério Lourenço Novo e qual era o fluxo financeiro entre o Banco Master, Daniel Vorcaro, Copenhagen, BR Global e possíveis beneficiários.
Outro ponto crucial levantado na notícia-crime é a necessidade de verificar se há relação entre os fatos atuais e outros casos que já foram investigados envolvendo Daniel Vorcaro. O deputado Farias enfatiza que, caso a apuração identifique elementos que possam incriminar Flávio Bolsonaro, as evidências devem ser encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis.
A ação de Lindbergh Farias reflete a crescente pressão política e social por maior transparência nas relações financeiras de figuras públicas, especialmente em um momento em que questões de corrupção e legalidade estão em evidência no cenário político brasileiro.


