A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) ajuizou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme adiantado pela coluna, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e os deputados Gustavo Gayer (PL) e Júlia Zanatta (PL).
Os quatro são acusados de promover uma ação coordenada de desinformação sobre a segurança das urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro.
Segundo a petição, os representados utilizaram um relatório da CIA sobre supostas vulnerabilidades do sistema eleitoral da Venezuela para insinuar, sem fundamento, que as urnas brasileiras teriam ligação com a empresa Smartmatic.
A autora sustenta que o documento norte-americano trata exclusivamente do sistema venezuelano e não faz qualquer referência ao Brasil.
Flávio Bolsonaro é apontado como o principal responsável por, durante evento com representantes diplomáticos estrangeiros em Brasília, afirmar que muitas urnas brasileiras teriam a mesma origem da Smartmatic e defender o envio de observadores internacionais às eleições, o que, segundo a autora, reproduz uma narrativa falsa já reiteradamente desmentida pelo TSE.
Júlia Zanatta é acusada de iniciar a divulgação da narrativa nas redes sociais, relacionando o relatório da CIA ao Brasil e ao PT. Gustavo Gayer é acusado de reforçar a narrativa ao publicar mensagens envolvendo a Smartmatic e sugerir dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro. Eduardo Bolsonaro é apontado como um dos responsáveis por amplificar o conteúdo nas redes sociais, integrando a estratégia coordenada de disseminação da tese.
A Federação sustenta que houve uma estratégia organizada de disseminação de desinformação entre os dias 17 e 21 de julho, culminando no discurso de Flávio Bolsonaro perante embaixadores. Também afirma que a conduta viola dispositivos da Resolução do TSE que proíbem a divulgação de fatos sabidamente inverídicos sobre o sistema eleitoral, citando precedentes como os casos Fernando Francischini e Jair Bolsonaro, nos quais o Tribunal puniu ataques sem provas às urnas eletrônicas.
A ação foi distribuída ao ministro Nunes Marques. Os acusados foram procurados pela coluna, mas ainda não houve resposta. O espaço está aberto.


