Nove pessoas foram presas pela Polícia Civil durante uma operação contra uma quadrilha suspeita de aplicar golpes em idosos e pensionistas em Belo Horizonte e na região metropolitana. O grupo atraía as vítimas com promessas de cancelamento de descontos em benefícios previdenciários e de restituição de valores cobrados por bancos. Ao menos 21 pessoas foram enganadas, e o prejuízo identificado ultrapassa R$ 300 mil, sem contar os saques feitos em dinheiro.
As vítimas tinham entre 60 e 90 anos. Segundo a Polícia Civil, os principais alvos eram pessoas em situação de vulnerabilidade social, com problemas de saúde e que dependiam da aposentadoria ou da pensão para pagar medicamentos e outras despesas familiares.
As investigações começaram em janeiro de 2025, depois que uma das vítimas procurou a polícia para denunciar descontos que considerava indevidos em sua aposentadoria. A partir dessa denúncia, os investigadores passaram a acompanhar as atividades do grupo e identificaram o modo de atuação dos suspeitos.
Na maioria dos casos, as abordagens eram feitas por telefone ou WhatsApp. Os criminosos ofereciam serviços para interromper descontos realizados nos benefícios previdenciários e prometiam recuperar quantias que teriam sido cobradas de forma irregular por instituições financeiras.
Depois do primeiro contato, os idosos eram convencidos a comparecer a endereços apresentados como escritórios de consultoria financeira. Os locais, no entanto, eram falsos. Durante os atendimentos presenciais, os suspeitos recolhiam documentos, senhas e informações pessoais, além de obter acesso aos celulares das vítimas.
O grupo também fazia fotografias e vídeos dos idosos, que poderiam ser usados em procedimentos de reconhecimento facial. Com os dados obtidos, os investigados contratavam empréstimos consignados, abriam contas digitais, cadastravam chaves Pix e realizavam transferências sem autorização dos titulares.
Em alguns episódios, os suspeitos teriam alterado a conta bancária usada para o recebimento dos benefícios previdenciários. Dessa forma, passavam a controlar o pagamento das aposentadorias. Contas abertas em nome das próprias vítimas também eram utilizadas para movimentar valores provenientes de outras fraudes, o que dificultava a identificação dos destinatários finais do dinheiro.
Quando as operações não eram concluídas por meio de aplicativos, integrantes da quadrilha acompanhavam os idosos até agências bancárias e caixas eletrônicos. Nesses locais, eles realizavam saques e se apropriavam dos valores retirados.
Além dos 21 idosos e aposentados identificados como vítimas, um advogado também teria sofrido prejuízo. O levantamento inicial da Polícia Civil aponta perdas de pelo menos R$ 300 mil em transferências bancárias. O valor total pode ser maior porque ainda não foram contabilizados todos os saques feitos em espécie.
Operação cumpriu mandados em três cidades
Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva: seis contra mulheres e três contra homens. Os policiais também cumpriram 13 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Vespasiano e Santa Luzia.
Celulares foram apreendidos e poderão auxiliar os investigadores na identificação de outros envolvidos, de novas vítimas e de valores adicionais movimentados pelo grupo. A apuração indica que havia uma divisão de tarefas entre os suspeitos. Alguns eram responsáveis por localizar e abordar as vítimas; outros atuavam nos falsos escritórios, enquanto uma terceira parte cuidava das operações bancárias e do recebimento dos recursos.
De acordo com a Polícia Civil, os presos foram ouvidos na Delegacia de Polícia e, posteriormente, encaminhados para unidades prisionais. A investigação continua para identificar outros participantes do esquema, localizar possíveis novas vítimas e dimensionar o total de valores movimentados pela quadrilha.


