O dólar comercial abriu a sessão desta terça-feira (27/10) em queda, ainda sob influência das reações do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às 9h22, a moeda norte-americana recuava 0,85% em relação ao fechamento do dia anterior e era negociada a R$ 5,36.
Na segunda-feira (26/10), o dólar encerrou o pregão cotado a R$ 5,40, depois de avançar 8,21%. A alta ocorreu em um dia marcado por forte instabilidade nos mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em queda de 13,88%, aos 177.608 pontos. O desempenho ficou entre os piores registrados na série histórica do mercado.
As oscilações ocorreram após a confirmação da reeleição de Lula, anunciada no domingo (25/10). O petista permanecerá na Presidência da República por mais quatro anos, depois de derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno à frente na disputa, mas acabou superado em uma virada considerada inédita.
Na abertura dos negócios desta terça-feira, os investidores continuavam avaliando os possíveis rumos do novo governo. A expectativa de quem mantém aplicações no Brasil é por uma sinalização de Lula sobre a política econômica que será adotada durante o quarto mandato.
Entre os principais pontos de atenção está a política fiscal, que envolve o controle das despesas públicas e da dívida do governo. O endividamento tem aumentado de forma significativa nos últimos anos, e o mercado aguarda indicações sobre o compromisso da próxima administração com o equilíbrio das contas. Nesse contexto, a escolha do nome que comandará o Ministério da Fazenda é considerada um dos sinais mais importantes para os investidores.
Mercado reagiu à mudança nas expectativas eleitorais
Analistas ouvidos pelo Metrópoles na segunda-feira atribuíram os movimentos recentes dos mercados à frustração de parte dos investidores, que esperava a vitória de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. A reação ocorre depois de um período de valorização dos ativos associado ao resultado do primeiro turno, quando o senador aparecia à frente de Lula.
A economista Carla Beni, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Conselho Regional de Economia de São Paulo, afirmou que o mercado havia demonstrado entusiasmo com o desempenho de Flávio na primeira etapa da eleição. Segundo ela, houve uma “lua de mel muito rápida”, marcada por uma alta recorde da bolsa.
Na segunda-feira (5/10), após o primeiro turno, o índice chegou a superar 209 mil pontos. Na mesma ocasião, também foi registrada queda do dólar. Para Carla Beni, o movimento de valorização se intensificou ao longo do período eleitoral, impulsionado pelas apostas baseadas nas pesquisas de intenção de voto.
“Isso foi se intensificando durante todo esse período e as apostas em cima das pesquisas estão muito no reflexo hoje do mercado financeiro, do circuit breaker, porque houve uma ruptura dessas pesquisas”, afirmou a economista.
Mercados internacionais operam sem direção única
No exterior, o cenário também era misto nesta terça-feira. Parte das bolsas asiáticas registrava alta, enquanto outra parcela operava em baixa. O mesmo comportamento era observado nos mercados acionários da Europa.
O petróleo tipo Brent, referência internacional para a commodity, era negociado a US$ 109,87 às 8h15, com recuo de 0,78%. O desempenho do petróleo contribuía para o ambiente de cautela nos mercados, que permaneciam atentos tanto aos desdobramentos políticos no Brasil quanto ao comportamento dos ativos internacionais.


