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Anvisa aprova sugemalimabe para tratamento inicial de câncer de pulmão metastático

Anvisa aprova sugemalimabe para tratamento inicial de câncer de pulmão metastático

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira (26/10), o registro do Cejemly, nome comercial do sugemalimabe, para o tratamento inicial de adultos com câncer de pulmão de células não pequenas metastático. A doença é considerada metastática quando o tumor se espalha para outras partes do corpo. O medicamento deverá ser utilizado em combinação com quimioterapia à base de platina.

A indicação é destinada a pacientes que não apresentam alterações genéticas específicas no tumor. Estão incluídas pessoas sem mutações sensibilizantes do EGFR e sem alterações nos genes ALK, ROS1 e RET. Segundo a Anvisa, o câncer de pulmão de células não pequenas representa aproximadamente 80% a 85% dos casos da doença e costuma ser diagnosticado em estágios avançados, quando as alternativas terapêuticas são mais limitadas.

O sugemalimabe é um anticorpo monoclonal que atua sobre o sistema imunológico. O medicamento ajuda a recuperar a resposta de defesa do organismo contra o câncer ao restaurar a atividade dos linfócitos T, células responsáveis por reconhecer e eliminar células tumorais. A autorização da Anvisa foi concedida por meio de um procedimento otimizado, que aproveitou parcialmente a avaliação realizada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

Câncer de pulmão está entre os mais frequentes no Brasil

O câncer de pulmão é o segundo tipo mais comum entre homens e mulheres no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), aproximadamente 13% de todos os novos casos de câncer correspondem a tumores localizados nos pulmões. No fim do século 20, a doença se consolidou como uma das principais causas de mortes evitáveis no mundo.

O tabagismo é apontado como a principal causa do câncer de pulmão. Cerca de 85% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados do tabaco. A mortalidade entre fumantes é aproximadamente 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram. Entre os ex-fumantes, o risco de morte é cerca de quatro vezes superior ao observado entre quem nunca fumou.

Também favorecem o desenvolvimento da doença a exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica — incluindo enfisema pulmonar e bronquite crônica —, fatores genéticos e histórico familiar de câncer de pulmão. Entre outros fatores de risco estão a exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos, o consumo de água potável com arsênico e o uso de altas doses de suplementos de betacaroteno por fumantes e ex-fumantes.

Sintomas costumam aparecer em fases avançadas

Os sinais do câncer de pulmão geralmente não surgem até que a doença esteja avançada. Ainda assim, pessoas em estágios iniciais podem apresentar tosse persistente, escarro com sangue, dor no peito, pneumonia recorrente, cansaço extremo, rouquidão persistente, piora da falta de ar, redução do apetite e dificuldade para engolir.

O diagnóstico considera os sintomas, o histórico de saúde familiar e os resultados de exames específicos. Entre os procedimentos utilizados estão a radiografia do tórax, a tomografia computadorizada e a biópsia do tecido pulmonar.

Nos casos em que a doença está localizada no pulmão e nos linfonodos, o tratamento pode ser feito com radioterapia e quimioterapia simultaneamente. Quando há metástases a distância, a abordagem envolve quimioterapia ou, em situações selecionadas, medicamentos baseados em terapia-alvo. A cirurgia, quando possível, consiste na retirada do tumor com margem de segurança, além da remoção dos linfonodos próximos ao pulmão e localizados no mediastino. Esse procedimento é considerado o tratamento de escolha por oferecer melhores resultados e maior controle da doença.

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