A Polícia Civil de Minas Gerais está apurando as circunstâncias que envolveram o feminicídio de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, cujo corpo foi localizado em uma área rural de Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As investigações apontam que conflitos anteriores entre Beatriz e uma mulher de 23 anos, atual namorada do ex-namorado da vítima, podem ter motivado o crime, considerado pela polícia como feminicídio. A principal hipótese apresentada nesta quinta-feira (22), durante coletiva de imprensa, é a de que ciúmes e desentendimentos passados tenham contribuído para o homicídio.
De acordo com o delegado Alexandre Fonseca, responsável pela Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, os investigadores identificaram episódios de conflito entre Beatriz e a atual companheira do ex-namorado, uma jovem de 18 anos, que teriam ocorrido durante eventos na cidade de Jaboticatubas, incluindo uma festa local e uma discussão no Bar do Ismael. O delegado destacou que o comportamento do ex-namorado da vítima também pode ter influenciado esses desentendimentos, uma vez que ele procurava Beatriz em momentos de conflito com a atual namorada. Essa dinâmica, segundo a polícia, pode ter contribuído para o desfecho trágico.
A Polícia Civil também está analisando os celulares apreendidos durante as diligências para compreender melhor as discussões e verificar se os desentendimentos tiveram relação com o planejamento do crime. O delegado Júlio Wilke, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), reforçou que, até o momento, há elementos que indicam a participação tanto do ex-namorado quanto da atual companheira dele na prática do feminicídio, caracterizado pelo fato de a vítima ter sido morta por motivos de intolerância de gênero.
A delegada Anala Lelis, responsável pela investigação em Jaboticatubas, informou que familiares de Beatriz relataram um histórico de violência doméstica envolvendo o suspeito, o que reforça a hipótese de motivação passional. Ela acrescentou que a investigação ainda busca esclarecer a duração do relacionamento entre Beatriz e o ex-namorado, além de aprofundar as motivações do crime. Uma das linhas de investigação aponta para a possibilidade de que Beatriz estivesse grávida de aproximadamente três meses, informação que aguarda confirmação por meio de exames do Instituto Médico Legal (IML).
O irmão da vítima, Maxwell Sérgio Marques Mota, de 29 anos, declarou que a suspeita de gravidez foi levantada por familiares após testes realizados pela jovem. Ele expressou a esperança por justiça, destacando a dificuldade de descobrir os responsáveis pelo crime. Beatriz foi encontrada morta em uma cova rasa, após o corpo ser localizado em uma área rural de Jaboticatubas, na última quarta-feira (21). O ex-namorado de Beatriz e a atual companheira dele foram presos na mesma ocasião, sob acusação de ocultação e destruição de cadáver. Em depoimento, o rapaz admitiu ter buscado a vítima de carro, mas atribuiu a responsabilidade pelo homicídio a uma adolescente de 15 anos que também estava no veículo. A mulher de 23 anos permaneceu em silêncio durante as investigações.
A investigação continua em andamento, com o objetivo de esclarecer a dinâmica do crime, a participação de cada suspeito e as motivações que levaram à morte de Beatriz Vitória. A polícia também busca entender as circunstâncias que envolveram os conflitos anteriores e o contexto emocional que pode ter contribuído para o feminicídio, considerado um crime de intolerância de gênero.


