A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que irá formalizar uma denúncia junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) questionando a atuação de empresas de tecnologia que, segundo a equipe de campanha, estariam interferindo nas eleições presidenciais do Brasil. A iniciativa ocorre após orientações do próprio Lula, que, segundo o ex-ministro e coordenador da campanha, Camilo Santana (PT-CE), tem buscado ampliar a mobilização internacional contra possíveis ações de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
De acordo com Santana, a estratégia inclui não apenas a denúncia na OEA, mas também a disseminação do assunto em outros países, com o objetivo de estimular debates nos parlamentos e na mídia internacionais. “Estamos denunciando e estendendo essa denúncia para os outros países, para que os países possam reverberar essa denúncia, possam falar nos seus parlamentos, nos meios de comunicação de seus países, para denunciar a interferência. E também continuamos cobrando do Tribunal Superior Eleitoral providências em relação a essas ações que estão sendo tomadas [pelas plataformas]”, afirmou o coordenador.
Além da denúncia na OEA, a campanha de Lula convocou uma reunião com observadores internacionais credenciados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para esta quinta-feira, dia 15 de outubro. O objetivo é apresentar um relatório detalhado com indícios de irregularidades relacionadas ao funcionamento das plataformas digitais durante o período eleitoral. Entre os pontos levantados, a equipe de campanha destaca instabilidades no perfil oficial do presidente Lula, especialmente no uso de ferramentas como a função de “repost”. Além disso, há críticas à restrição imposta pela Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, à utilização de inteligência artificial (IA) na criação de imagens de apoio ao petista, enquanto, segundo a campanha, a mesma IA gera conteúdos favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
A campanha aponta que conteúdos produzidos pelo perfil oficial de Lula não estão sendo disponibilizados de forma plena e igualitária ao eleitorado. Segundo Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, a Meta não conseguiu comprovar que as problemas técnicos enfrentados pela campanha presidencial tenham sido ocasionados por acaso. Ele afirmou que as páginas ligadas ao adversário político do presidente, no caso, o senador Flávio Bolsonaro, não apresentam as mesmas dificuldades técnicas, o que reforça a suspeita de tratamento desigual por parte das plataformas.
Paralelamente às ações junto ao TSE e à OEA, a equipe de Lula também levará a questão à Agência Nacional de Proteção de Dados (Anpd). Nesta quarta-feira, a defesa do presidente entrou com uma ação contra a Meta no próprio TSE, questionando a existência de uma “seletividade algorítmica” no tratamento de conteúdos relacionados às campanhas que disputam o segundo turno das eleições. Essas ações refletem a preocupação da campanha petista com o que considera ser uma interferência indevida por parte de plataformas digitais, que poderiam influenciar o resultado eleitoral por meio de ações técnicas e algoritmos que favorecem um lado em detrimento do outro.


