A Rússia comunicou oficialmente à Organização Mundial da Saúde (OMS) que não há registros de casos de peste na cidade de Irkutsk, localizada na região da Sibéria, após a morte de uma pesquisadora especializada na doença na semana passada. A declaração foi enviada nesta terça-feira, 6 de outubro, em resposta às preocupações levantadas após o incidente, que gerou suspeitas iniciais de que a morte pudesse estar relacionada à peste pneumônica, uma forma altamente contagiosa da doença.
Segundo informações fornecidas às autoridades internacionais, as autoridades russas estavam investigando a possibilidade de que a falecida, uma cientista de um instituto dedicado ao estudo da peste, tivesse sido vítima da bactéria Yersinia pestis, responsável pela doença. Em decorrência dessa investigação, a Rússia comunicou à OMS que, até o momento, não há registros de casos confirmados de peste na cidade de Irkutsk, nem de qualquer transmissão entre a população local.
A resposta enviada ao órgão internacional também destacou que as autoridades russas identificaram as pessoas que tiveram contato direto com a pesquisadora falecida. Para garantir a segurança, todos esses contatos foram submetidos a testes laboratoriais para detectar a presença de patógenos infecciosos considerados perigosos. Os resultados desses exames, até o momento, mostraram-se negativos, indicando que não há evidências de infecção por peste ou outros agentes patogênicos de alta periculosidade entre os contatos da vítima.
Durante uma coletiva de imprensa realizada em Genebra, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, reforçou que a organização recebeu a comunicação oficial da Rússia e que, com base nas informações atuais, o risco de transmissão da peste para a população em geral permanece considerado baixo. No entanto, a organização internacional ressaltou que a informação divulgada pela Rússia não esclarece se a própria vítima foi submetida aos testes laboratoriais que descartaram a doença como causa de sua morte. Além disso, não há confirmação se a morte foi atribuída a alguma outra condição médica ou se a peste pneumônica foi completamente descartada como possibilidade.
A peste, causada pela bactéria Yersinia pestis, é uma doença infecciosa que apresenta diferentes formas clínicas, sendo a pneumônica uma das mais graves. Essa forma afeta os pulmões e pode ser transmitida entre pessoas por meio de gotículas respiratórias, o que aumenta o potencial de disseminação em ambientes de aglomeração ou contato próximo. Apesar do risco potencial, a OMS já afirmou que o perigo de uma epidemia de peste na população geral parece ser baixo, especialmente em regiões onde há monitoramento constante e medidas de controle epidemiológico.
A situação em Irkutsk, uma cidade com cerca de 600 mil habitantes e conhecida por sua forte tradição de pesquisa científica na Sibéria, permanece sob vigilância. As autoridades locais continuam monitorando possíveis casos e realizando investigações para assegurar que não haja disseminação da doença. A resposta rápida das autoridades russas e a comunicação transparente com a OMS são consideradas passos importantes para evitar alarmes desnecessários e manter o controle sobre o possível foco de infecção na região.


