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Nova diretriz brasileira estabelece critérios para diagnóstico e reposição de vitamina B12

Nova diretriz brasileira estabelece critérios para diagnóstico e reposição de vitamina B12

Um consenso inédito, elaborado por especialistas de seis áreas médicas brasileiras, apresenta novos critérios para o diagnóstico e o tratamento da deficiência de vitamina B12 no país. Publicado na revista científica eClinicalMedicine, vinculada ao grupo The Lancet, o estudo visa orientar a prática clínica nacional e destaca que as vias oral, sublingual e intramuscular de reposição são igualmente eficazes na normalização dos níveis do nutriente em indivíduos deficientes. A escolha do método deve, segundo o documento, considerar a adesão e a tolerância do paciente ao tratamento.

A deficiência de vitamina B12 é um problema que afeta até 30% dos idosos e 40% de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, podendo levar a complicações graves, como anemia megaloblástica e danos neurológicos irreversíveis. O consenso foi elaborado por uma equipe composta por endocrinologistas, hematologistas, gastroenterologistas, cirurgiões bariátricos, geriatras e neurologistas, buscando preencher a ausência de diretrizes nacionais padronizadas e promover maior uniformidade nas condutas de reposição.

De acordo com o endocrinologista Fábio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e um dos autores do estudo, o consenso demonstra que há múltiplas possibilidades de reposição para a maioria dos pacientes, o que permite uma abordagem individualizada, levando em conta a preferência e a tolerância de cada um ao tratamento.

A nova diretriz define parâmetros claros para o diagnóstico laboratorial: valores de vitamina B12 abaixo de 200 pg/mL confirmam deficiência, enquanto níveis entre 200 e 300 pg/mL são considerados limítrofes. Para esses casos, recomenda-se a avaliação de marcadores funcionais, como ácido metilmalônico e homocisteína, que ajudam a confirmar o quadro clínico. Níveis acima de 300 pg/mL indicam uma condição adequada de vitamina no organismo.

Moura destaca que o ácido metilmalônico e a homocisteína são essenciais para confirmar a deficiência, embora, na prática clínica, a dosagem do ácido metilmalônico seja muitas vezes inviável devido ao custo elevado, superior a R$ 1.000,00. Assim, a correlação dos exames laboratoriais com sintomas como dor neuropática ou alterações cognitivas é fundamental para o diagnóstico preciso.

O documento também alerta para o impacto do uso crônico de medicamentos que prejudicam a absorção gástrica, como inibidores de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol) e metformina. Pacientes que utilizam essas drogas por mais de seis meses devem passar por triagem anual de vitamina B12, reforçando a necessidade de acompanhamento regular. Moura reforça que os inibidores de bomba de prótons e a metformina estão entre os medicamentos mais associados à deficiência de B12, sendo recomendável verificar os níveis vitamínicos ao menos uma vez por ano nesses pacientes.

A alimentação é considerada a principal fonte do nutriente, que é sintetizado por bactérias e acumulado quase exclusivamente em alimentos de origem animal. Por essa razão, grupos que adotam dietas restritivas, como vegetarianos e veganos, precisam de atenção especial. A suplementação de vitamina B12 nesses casos deve ser planejada de forma preventiva, com acompanhamento nutricional individualizado para evitar prejuízos cognitivos ou físicos. Fernanda Castro, nutricionista, explica que esses grupos devem usar alimentos fortificados ou realizar suplementação regular, sem esperar o aparecimento de sintomas ou alterações nos exames.

Embora as vias oral e sublingual sejam eficazes na maioria dos casos, inclusive em quadros de má absorção, a via injetável permanece como alternativa para situações de urgência ou quando há comprometimento neurológico severo. Moura ressalta que, em casos de necessidade de reposição rápida, a via parenteral é preferida, especialmente quando há manifestações neurológicas graves.

O monitoramento da reposição deve começar um mês após o início do tratamento, com reavaliações a cada três e seis meses. A padronização dessas condutas visa garantir maior segurança no diagnóstico, prevenindo sequelas cognitivas e motoras permanentes decorrentes da deficiência de vitamina B12.

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