Nas eleições realizadas neste domingo, 4 de outubro, os candidatos autodeclarados negros conquistaram 332 das 1.059 cadeiras disponíveis em assembleias legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), representando aproximadamente 31,4% do total. Os números, obtidos por um levantamento do portal Metrópoles com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consideram a autodeclaração de raça ou cor feita pelos candidatos durante o registro de candidatura.
A análise revela uma predominância de candidatos brancos, que conquistaram 719 vagas, o que corresponde a 67,9% do total. Esses candidatos são maioria em 22 das 27 casas legislativas analisadas, refletindo uma participação desproporcional em relação à composição racial da população brasileira. Pessoas que se autodeclaram pardas ficaram com 271 cadeiras, enquanto os candidatos negros conquistaram 61 vagas. Além disso, há quatro eleitos autodeclarados indígenas e outros quatro que se identificam como de cor ou raça amarela.
A distribuição das cadeiras entre os estados apresenta variações significativas. Amazonas, Amapá e Tocantins destacam-se por terem maioria de parlamentares negros, enquanto estados como Alagoas e Santa Catarina elegeram exclusivamente candidatos que se identificam como brancos. O Amazonas lidera nesse aspecto, com cerca de 58% dos deputados estaduais autodeclarados pretos ou pardos. Dos 24 parlamentares do estado, 14 se autodeclaram pretos ou pardos, incluindo 13 pardos, um preto, além de um indígena e um branco, compondo uma representatividade racial mais diversificada.
No Amapá e no Tocantins, a presença de candidatos negros também é expressiva, com 13 representantes de cada estado, o que corresponde a 54,2% do total de 24 deputados estaduais em cada uma dessas assembleias. No Amapá, há 11 pardos e dois pretos, enquanto no Tocantins, todos os 13 representantes se autodeclararam pardos. Esses três estados — Amazonas, Amapá e Tocantins — são os únicos em que a maioria dos parlamentares se identifica como negra ou parda.
Por outro lado, estados como Alagoas e Santa Catarina apresentaram uma composição totalmente branca nas suas assembleias, com 27 deputados estaduais em Alagoas e 40 em Santa Catarina. Outros exemplos de baixa participação de pessoas negras incluem o Rio Grande do Sul, com três parlamentares negros em uma casa de 55 cadeiras, e o Paraná, com quatro entre 54 deputados. Mato Grosso e outros estados também apresentam baixa presença de representantes negros, com três deputados negros em uma assembleia de 24 parlamentares.
No estado de São Paulo, a maior assembleia do país, com 94 cadeiras, foram eleitos 18 parlamentares negros, sendo dez pretos e oito pardos, o que equivale a 19,1% do total. Os demais representantes da casa se identificam como brancos (73) ou de cor ou raça amarela (três).
Além da representação de candidatos negros, o levantamento aponta a eleição de quatro candidatos indígenas, um em cada um dos estados do Amazonas, Espírito Santo, Piauí e Rio de Janeiro. Também há quatro representantes autodeclarados de cor ou raça amarela, sendo três em São Paulo e um no Rio de Janeiro.
Esses dados reforçam o quadro de desigualdade racial ainda presente na representação política brasileira, evidenciando que, apesar de avanços em algumas regiões, a participação de pessoas negras nas casas legislativas permanece abaixo de um terço do total de cadeiras, refletindo desafios históricos de inclusão e representatividade no cenário político nacional.


