A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quarta-feira, 30 de setembro, novas recomendações voltadas à prevenção de doenças causadas por altas temperaturas em eventos de grande escala, incluindo shows, competições esportivas e celebrações religiosas. O objetivo é orientar organizadores e autoridades sobre medidas eficazes que podem ser adotadas para minimizar os riscos à saúde em situações de calor extremo, que têm se tornado cada vez mais frequentes devido às mudanças climáticas.
A atualização das diretrizes da OMS baseou-se na análise de estudos publicados entre 1980 e 2025, além de uma revisão de quase meio milhão de atendimentos médicos realizados em diferentes eventos ao longo de várias décadas. Desse total, mais de 22 mil casos estavam relacionados a condições provocadas pelo calor, demonstrando a relevância do tema. Os dados indicam que, quando a estrutura de saúde presente no evento é bem organizada, mais de 90% das pessoas atendidas conseguem receber cuidados no próprio local, o que reduz significativamente a necessidade de encaminhamentos hospitalares e alivia a demanda sobre ambulâncias e serviços de emergência locais.
Segundo a OMS, o calor extremo deixou de ser uma questão exclusivamente ambiental para se tornar uma preocupação de saúde pública que exige planejamento e preparo específicos por parte de governos, organizadores de eventos e equipes de saúde. Os registros mostram que, nas últimas décadas, o número de mortes relacionadas a ondas de calor cresceu de forma expressiva. Entre 2012 e 2021, a média anual de óbitos por causas relacionadas ao calor foi de aproximadamente 546 mil em todo o mundo, destacando a gravidade do problema.
Eventos com grande concentração de pessoas representam um risco adicional, pois fatores como longos períodos expostos ao ar livre, exposição direta ao sol, aglomerações, dificuldades no acesso à água potável e a sobrecarga dos sistemas de saúde aumentam a vulnerabilidade dos participantes. Além disso, o aumento das temperaturas globais, impulsionado pelas mudanças climáticas, tem tornado episódios de calor intenso mais frequentes e intensos. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que tais eventos não só se tornaram mais comuns, como tendem a se agravar nos próximos anos.
Para combater esses riscos, a OMS recomenda que os organizadores de eventos adotem uma série de medidas preventivas antes e durante a realização das atividades. Entre as ações sugeridas estão a oferta contínua de água potável, a instalação de áreas de resfriamento, ajustes nos horários para evitar as horas de maior calor, controle do fluxo de pessoas e a implementação de estratégias de comunicação eficazes com o público. Além disso, a presença de equipes de saúde preparadas para atuar no local e o monitoramento em tempo real da situação climática são considerados essenciais para uma resposta rápida e eficiente.
As orientações também ressaltam a importância de envolver diferentes grupos, incluindo participantes, trabalhadores e voluntários, em um planejamento integrado que contemple todas as etapas do evento. A integração dessas ações ao planejamento geral é vista como uma estratégia fundamental para reduzir riscos, melhorar a resposta a situações de calor extremo e garantir a segurança de todos os envolvidos. Dessa forma, a OMS reforça que a adaptação às condições climáticas deve fazer parte de uma abordagem abrangente de saúde pública, especialmente em um contexto de aumento contínuo das temperaturas globais.


