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PL intensifica recrutamento de fiscais de urna após declaração de Flávio Bolsonaro sobre “gente nossa” no país

PL intensifica recrutamento de fiscais de urna após declaração de Flávio Bolsonaro sobre “gente nossa” no país

O Partido Liberal (PL) deu início a uma campanha mais intensa de recrutamento de fiscais de urna, visando acompanhar de perto a votação nas eleições deste domingo, 4 de outubro. A iniciativa ocorre quatro dias antes do primeiro turno e busca garantir a presença de apoiadores do partido em diferentes regiões do país durante o processo eleitoral. Para isso, o partido prorrogou um cadastro virtual aberto a apoiadores interessados em atuar como fiscais, reforçando a mobilização iniciada pelo candidato do PL à presidência, o senador Flávio Bolsonaro.

A mobilização do partido foi motivada por uma declaração do próprio Flávio Bolsonaro, feita em transmissão ao vivo, na qual afirmou que desejava ter “gente nossa” espalhada pelo Brasil para “evitar que pessoas mal-intencionadas votem no lugar de outras e façam alguns tipos de atitudes ilegais”. A fala reforça a estratégia do partido de reforçar a presença de apoiadores nas seções eleitorais, com o objetivo declarado de fiscalizar a votação e a apuração.

Segundo as regras eleitorais brasileiras, os partidos têm direito a indicar até dois fiscais por mesa receptora, que podem acompanhar todos os procedimentos, fazer questionamentos e contestar ações, inclusive a identidade de eleitores. Com o objetivo de ampliar essa fiscalização, o PL criou uma plataforma online para cadastro de voluntários, que deve atuar desde o momento da emissão da zerésima — a contagem inicial que confirma o funcionamento correto das urnas antes do início da votação — até a divulgação do boletim de urna após o encerramento do pleito.

Flávio Bolsonaro anunciou, em 17 de setembro, que recrutaria apoiadores para fiscalizar especialmente o momento do fechamento das urnas, reforçando a intenção de monitorar possíveis irregularidades ou atitudes ilegais durante o processo. Ele destacou a necessidade de “gente nossa” em todo o Brasil para evitar ações mal-intencionadas durante a votação.

A iniciativa do PL ocorre em um contexto de questionamentos às urnas eletrônicas, que vêm sendo levantados por Jair Bolsonaro e aliados ao longo dos anos. Em 2022, Bolsonaro chegou a reunir embaixadores para levantar suspeitas, sem apresentar provas, sobre a segurança do sistema de votação brasileiro. Flávio Bolsonaro também abordou o tema em encontros com diplomatas, chegando a fazer afirmações falsas de que equipamentos utilizados no Brasil teriam origem semelhante às máquinas venezuelanas da empresa Smartmatic, além de citar um relatório da CIA alegando uma suposta participação da Smartmatic em um plano do governo venezuelano para fraudar eleições de 2012.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ou os programas utilizados nos equipamentos brasileiros, além de afirmar que, desde a adoção das urnas eletrônicas em 1996, não há registros de fraudes comprovadas no sistema eleitoral nacional. A Justiça Eleitoral também realiza procedimentos rigorosos de confirmação de identidade dos eleitores, que apresentam documento oficial com foto e podem passar por reconhecimento biométrico, além de poder contestar sua identidade antes do início do voto, caso haja dúvida.

Para a implementação da mobilização, o PL criou uma página exclusiva para o cadastro de voluntários, onde os interessados devem declarar disponibilidade durante toda a jornada eleitoral. Os fiscais são orientados a acompanhar desde a emissão da zerésima até a divulgação do boletim de urna, observando a identificação dos eleitores, o andamento da votação e possíveis irregularidades, com o objetivo de reforçar a fiscalização e garantir a transparência do processo eleitoral.

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