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Alterações Cerebrais Relacionadas ao Alzheimer Podem Ocorrer Antes de Perda de Memória, Aponta Estudo com Macacos

Alterações Cerebrais Relacionadas ao Alzheimer Podem Ocorrer Antes de Perda de Memória, Aponta Estudo com Macacos

Pesquisadores descobriram que alterações no cérebro associadas ao Alzheimer podem surgir antes do aparecimento de sintomas cognitivos, como a perda de memória. O estudo, publicado em 24 de setembro na revista Communications Biology, analisou o que ocorre nas fases iniciais da doença, antes do surgimento de sinais clínicos evidentes. Para isso, os cientistas trabalharam com macacos-verdes africanos, uma espécie que, ao envelhecer, apresenta mudanças cerebrais semelhantes às observadas em humanos com Alzheimer.

Durante o experimento, cinco desses macacos receberam aplicações repetidas de beta-amiloide, uma proteína relacionada ao desenvolvimento da doença. Essa substância tem a capacidade de formar aglomerados que prejudicam o funcionamento das células nervosas. As aplicações ocorreram ao longo de quatro semanas, com doses controladas, enquanto outros três animais receberam uma solução sem a proteína, servindo como grupo de controle. Ao longo de um ano, os animais foram submetidos a testes de memória, nos quais precisavam reconhecer formas exibidas em uma tela após um curto intervalo. Os resultados indicaram que os macacos que receberam a proteína mantiveram seu desempenho nos testes, sem sinais de declínio cognitivo.

No entanto, análises do líquido cefalorraquidiano, que envolve o cérebro e a medula espinhal, revelaram alterações biológicas persistentes. Essas alterações incluíram aumento de proteínas relacionadas à resposta imune, redução de outras essenciais à comunicação entre neurônios, além de mudanças em proteínas vinculadas aos vasos sanguíneos e à coagulação. Tais dados sugerem que o cérebro pode permanecer alterado por um período prolongado após a exposição ao beta-amiloide, mesmo sem evidências de perda de memória ou declínio cognitivo aparente.

O estudo reforça a tese de que as alterações biológicas associadas ao Alzheimer podem preceder os sintomas clínicos por décadas. Apesar de esses resultados não indicarem que os macacos desenvolveram a doença, eles contribuem para a compreensão de como o Alzheimer se inicia e evolui no cérebro. A pesquisa também evidencia a importância do diagnóstico precoce, uma vez que a doença degenerativa tende a se agravar ao longo do tempo. O Alzheimer, uma condição que causa a morte de células cerebrais, geralmente apresenta sintomas mais evidentes em pessoas com mais de 70 anos, embora possa se manifestar precocemente, em indivíduos jovens, na forma de Alzheimer precoce.

Na fase inicial, os sinais mais comuns incluem dificuldades de memória, como esquecer onde guardou objetos, o que comeu no café da manhã, nomes de pessoas ou até a estação do ano. Outros sintomas frequentes envolvem desorientação, dificuldades para lembrar o endereço ou o caminho de casa, além de problemas na tomada de decisões simples, como planejar tarefas diárias ou refeições. Mudanças comportamentais, como aumento da irritabilidade, nervosismo, agressividade e repetições de ações também são indicativos de início da doença.

Segundo uma pesquisa da Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), fatores como proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falhas energéticas neurais e fatores genéticos (como o gene APOE) estão relacionados ao surgimento do Alzheimer. O tratamento atualmente envolve medicamentos para aliviar os sintomas, além de fisioterapia e estímulos cognitivos, uma vez que a doença não possui cura definitiva e requer cuidados contínuos ao longo da vida.

Por fim, os autores do estudo ressaltam que, embora as alterações biológicas possam ocorrer muito antes de qualquer manifestação de perda de memória, o estudo com macacos possui limitações, como o número reduzido de animais e o foco em um único tipo de teste de memória. Pesquisas futuras buscarão comparar esses dados com estudos em humanos, na tentativa de identificar sinais precoces e compreender melhor o desenvolvimento do Alzheimer no cérebro.

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