Um estudo de fase 3 envolvendo o medicamento experimental retatrutida revelou resultados promissores no tratamento de adultos com diabetes tipo 2, sobrepeso ou obesidade, especialmente aqueles com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 35, considerado obesidade grau 2. As informações foram apresentadas nesta terça-feira, 29 de setembro, durante a reunião da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD, na sigla em inglês) e posteriormente publicadas na revista científica The Lancet.
A pesquisa, conduzida ao longo de 80 semanas, avaliou a eficácia do remédio desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, que atua simultaneamente em três receptores hormonais: GIP, GLP-1 e glucagon. Essa combinação visa tratar de forma integrada a obesidade e o diabetes tipo 2. Os participantes que receberam doses mais elevadas, de 12 mg, apresentaram uma perda média de aproximadamente 22,5 kg, o que corresponde a cerca de 20,8% do peso corporal inicial. Entre os indivíduos com obesidade mais severa, com IMC a partir de 35, a perda de peso atingiu até 27,5 kg, equivalente a aproximadamente 23,4% do peso inicial, levando muitos deles a deixar de ser classificados como obesos ao final do estudo, com IMC abaixo de 30.
Os resultados demonstram que, ao término do período de observação, uma parcela significativa dos participantes que utilizou a dose máxima do medicamento conseguiu não apenas perder peso, mas também reverter o diagnóstico de obesidade, atingindo um IMC considerado dentro da faixa de peso saudável. Além disso, o estudo indica que o medicamento pode oferecer benefícios adicionais à saúde, como a redução da hemoglobina glicada (A1C), um marcador importante no controle do diabetes. Os voluntários que receberam as doses mais altas tiveram uma diminuição média na taxa de A1C entre 1,5% e 1,6%, sendo que até 40% deles atingiram níveis considerados normais, inferiores a 5,7%.
A pesquisa também apontou melhorias nos indicadores cardiovasculares dos participantes. Houve redução de 39,5% nos triglicerídeos, 19,6% no colesterol não-HDL, além de uma diminuição de 16,9 cm na circunferência da cintura. Outro dado relevante foi a redução de 58,3% na proteína C-reativa, um marcador de inflamação associado a doenças cardiovasculares.
No que diz respeito aos efeitos adversos, a maioria dos sintomas relatados foi classificada como leve a moderada e tendiam a desaparecer com o avanço do tratamento. Os efeitos mais comuns em comparação ao placebo incluíram diarreia, náusea, prisão de ventre, diminuição do apetite, vômito, alterações na sensibilidade da pele e infecção urinária.
A Eli Lilly informou que pretende solicitar a aprovação regulatória do remédio junto à Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, no primeiro trimestre de 2027. Caso aprovada, a retatrutida poderá representar uma nova alternativa no combate à obesidade e ao diabetes tipo 2, condições que representam desafios de saúde pública em todo o mundo.


