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Tribunal Superior do Trabalho julga ação contra greve de bancários da Caixa Econômica Federal

Tribunal Superior do Trabalho julga ação contra greve de bancários da Caixa Econômica Federal

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) realizará, nesta terça-feira (29 de setembro), uma sessão extraordinária às 14h30 para julgar o dissídio coletivo movido pela Caixa Econômica Federal contra os empregados da instituição financeira que estão em greve nacional desde o dia 10 de setembro. Este processo judicial, conhecido como dissídio coletivo, é utilizado por sindicatos de trabalhadores ou de empregadores para resolver conflitos trabalhistas de forma judicial, especialmente quando as negociações diretas entre as partes não resultam em acordo.

A ação foi ingressada pela Caixa em 23 de setembro contra a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec). Segundo a instituição, as representações sindicais participaram de 13 rodadas de negociação, além de promoverem mediações junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), realizarem assembleias em diferentes regiões do país e comunicarem previamente a Caixa e a sociedade sobre as ações de greve.

A Caixa argumenta que a greve viola critérios essenciais para a manutenção de serviços considerados essenciais. Em 25 de setembro, o relator do processo, ministro Mauricio Godinho Delgado, determinou que pelo menos 60% dos empregados de cada agência estejam em atividade, seja presencial ou remotamente, para garantir a continuidade desses serviços. A instituição financeira havia solicitado que esse percentual fosse de 80%. Caso essa determinação não seja cumprida, a Caixa pretende que o tribunal declare a greve como abusiva e autorize o desconto dos dias de paralisação, além de aplicar multa diária de R$ 100 mil às entidades sindicais envolvidas.

Por sua vez, os trabalhadores contestaram a ação no sábado (26 de setembro), afirmando que a greve é legítima e que a responsabilidade pelo impasse nas negociações não pode ser atribuída aos empregados. Os sindicatos também destacaram que questões centrais, como o futuro do plano de saúde Saúde Caixa, não podem ser decididas de forma unilateral pela direção do banco.

A sessão do TST será transmitida ao vivo pelo canal oficial do tribunal no YouTube, permitindo o acompanhamento público do julgamento.

A greve dos bancários da Caixa teve início devido a impasses nas negociações do acordo coletivo de trabalho, cujo prazo de validade expirou em 31 de agosto. Entre os principais pontos de controvérsia está o plano de saúde Saúde Caixa, com os empregados reivindicando a exclusão do teto de 6,5% da folha de pagamento, além do retorno ao modelo anterior, que previa a cobertura de 70% das despesas pela Caixa e 30% pelos funcionários. Os trabalhadores também reivindicam reajuste zero na proposta apresentada pela instituição. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), essa é a terceira proposta recusada pelos empregados durante a atual campanha salarial.

A Caixa, por sua vez, justifica sua posição alegando desequilíbrio atuarial e financeiro, além de afirmar que não pode ultrapassar limites estatutários para concessões. A instituição sustenta que suas propostas visam equilibrar suas finanças e garantir a sustentabilidade do plano de saúde, enquanto os sindicatos defendem a manutenção de direitos conquistados e condições adequadas de cobertura para os funcionários.

Este cenário evidencia o agravamento do impasse entre a Caixa e seus empregados, refletindo uma disputa que envolve questões financeiras, de saúde e de direitos trabalhistas, com impacto direto na prestação de serviços essenciais à população. A decisão do TST nesta terça-feira será determinante para o desfecho da greve e para o futuro das negociações entre as partes.

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