Correio Divinopolitano

Ministério Público Eleitoral se manifesta contra prisão de funcionário do Planalto em caso envolvendo conteúdo nas redes sociais

Ministério Público Eleitoral se manifesta contra prisão de funcionário do Planalto em caso envolvendo conteúdo nas redes sociais

O Ministério Público Eleitoral (MPE) manifestou-se nesta segunda-feira, 28 de setembro, contra o pedido de prisão preventiva do funcionário do Palácio do Planalto, George Marques, apresentado pela defesa do deputado federal Flávio Bolsonaro (PL). A controvérsia decorre de uma investigação que apura a conduta de Marques após a divulgação de conteúdo relacionado ao candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, na polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Segundo o parecer do órgão, há indícios de que a conduta de Marques possa configurar crimes eleitorais ou relacionados à difamação, o que levou o MPE a solicitar a adoção de medidas cautelares, mas não a prisão do funcionário. Entre as providências recomendadas, está a suspensão do perfil de Marques na rede social X (antigo Twitter) até o término das eleições de 2026. Caso haja segundo turno na disputa presidencial, a suspensão deve permanecer até o encerramento dessa etapa. Se a eleição for concluída no primeiro turno, a suspensão se estenderá até o final do processo eleitoral.

Além da suspensão do perfil, o Ministério Público solicitou que Marques seja proibido de utilizar redes sociais durante o mesmo período, incluindo a criação de novos perfis, uso de contas de terceiros ou a contratação de terceiros para continuar publicando conteúdos em seu nome, de forma a evitar que ele contorne eventual decisão judicial. Essas medidas visam garantir a integridade do processo eleitoral e coibir ações que possam influenciar o eleitorado ou disseminar informações falsas.

No âmbito da notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro, o deputado também pediu a suspensão do exercício da função pública de Marques, além da prisão preventiva e de mandados de busca e apreensão. Entretanto, o MPE adotou entendimento contrário, manifestando-se pelo não acolhimento dessas solicitações.

A origem do caso remonta a uma declaração exibida na quinta-feira, 24 de setembro, durante um programa de televisão que discutia o cenário eleitoral e o comportamento do eleitorado religioso. Na ocasião, foi mencionado um suposto projeto de retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, embora a fala original não atribuísse essa iniciativa a Flávio Bolsonaro. Após a transmissão, o trecho passou a circular nas redes sociais sob a alegação de que o candidato do PL pretendia ou apoiava a retirada do título, o que levou a uma repercussão negativa e a uma correção por parte da emissora responsável pelo conteúdo, que pediu desculpas na madrugada de sexta-feira, 25 de setembro.

A discussão também reacendeu um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que sugeria alterações na legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro, propondo substituir a referência a Nossa Senhora Aparecida como “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto, que nunca chegou a ser aprovado, foi arquivado em 2008, e Galli posteriormente atuou como assessor especial no governo Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção de alterar o título de Nossa Senhora Aparecida e afirmou, por meio de suas redes sociais, que a informação divulgada era falsa, classificando a alegação como uma “grande mentira” e ressaltando que não há qualquer projeto nesse sentido.

A apuração sobre a conduta de George Marques será agora avaliada pela Justiça Eleitoral, que deverá decidir sobre os pedidos de medidas cautelares apresentados no processo, incluindo a suspensão do perfil nas redes sociais e outras ações que visem garantir a lisura do processo eleitoral.

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