Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, revelou que o consumo de creatina pode promover ganhos de força muscular e benefícios cognitivos mesmo em indivíduos que não praticam exercícios físicos regularmente. Os resultados, publicados no Journal of the International Society of Sports Nutrition em agosto, indicam que a suplementação com creatina, tradicionalmente associada a atletas e praticantes de musculação, também pode ser vantajosa para adultos sedentários na meia-idade ou idosos.
A pesquisa envolveu 64 adultos com idades entre 45 e 65 anos, que foram divididos em grupos de acordo com suas escolhas de intervenção. Alguns participaram de um período de 12 semanas no qual tomaram 10 gramas diários de creatina, enquanto outros receberam um placebo. Além disso, os participantes tiveram liberdade para decidir se queriam adotar mudanças na alimentação ou iniciar atividades físicas durante o estudo. Essa abordagem permitiu avaliar os efeitos isolados da creatina e em combinação com outros fatores de estilo de vida.
Dos 26 indivíduos que optaram por não alterar sua rotina de dieta ou sedentarismo, aqueles que consumiram creatina apresentaram aumento na massa muscular magra e maior força em exercícios como supino e leg press. Esses resultados demonstram que a creatina pode ajudar a retardar a perda de massa muscular relacionada ao envelhecimento, mesmo na ausência de exercícios físicos.
Por outro lado, o grupo que combinou a suplementação com dieta e atividade física obteve resultados ainda mais expressivos. Após as 12 semanas, esses participantes apresentaram uma redução significativa na porcentagem de gordura corporal, além de aumentos de força e resistência muscular nos testes de supino e leg press. Tais dados reforçam a potencialidade da creatina em potencializar os efeitos de intervenções voltadas à melhora da composição corporal e do desempenho físico em adultos de meia-idade.
Além dos benefícios musculares, o estudo também observou melhorias na função cognitiva entre os participantes que tomaram creatina, incluindo testes de memória. Contudo, os autores destacam que esses resultados na esfera cerebral ainda são considerados exploratórios e demandam investigações adicionais para confirmar a extensão dos efeitos cognitivos.
De acordo com os pesquisadores, essas descobertas podem representar uma alternativa importante para populações de meia-idade e idosos que buscam manter a massa muscular, a força e a função cognitiva, especialmente em contextos onde a prática regular de exercícios físicos não é viável ou desejada. Eles ressaltam que a suplementação com creatina, além de auxiliar na preservação da massa muscular, pode contribuir para a manutenção de funções cognitivas, o que é particularmente relevante diante do envelhecimento populacional e do aumento de doenças relacionadas à perda de massa muscular e declínio cognitivo.


